O término da Moratória da Soja, um acordo voluntário de conservação em vigor desde 2008, pode causar um desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia nos próximos dez anos, um aumento de 17% em relação às taxas históricas, conforme destaca um novo estudo publicado na revista Science. Este aumento representa a liberação potencial de cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂, um volume comparável às emissões anuais do Canadá.
A Moratória é um pacto entre empresas, sociedade civil e governo brasileiro, que proíbe a comercialização de soja proveniente de áreas desmatadas da Amazônia após 2008. Desenvolvido em colaboração entre pesquisadores de entidades como WWF Brasil, Greenpeace Brasil, Land Conservation Association e universidades dos Estados Unidos, o estudo também aponta possíveis pressões sobre áreas vulneráveis à expansão agrícola e especulação fundiária, com até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas sob risco.
Nos primeiros dez anos de sua implantação, a Moratória reduziu o desmatamento em áreas de risco em 35%, evitando a perda de aproximadamente 1,8 milhão de hectares de floresta. A eficácia do acordo é destacada pelo pesquisador Tiago Reis, da WWF-Brasil, que aponta a coexistência da expansão agrícola com a conservação ambiental como um resultado bem-sucedido do pacto.
Além dos impactos ambientais, o estudo discorre sobre as consequências econômicas da Moratória. Apesar de críticas sobre possíveis limitações econômicas impostas aos agricultores, a análise mostrou que apenas cerca de 739 mil hectares de áreas desmatadas legalmente eram aptas para cultivo de soja, indicando impactos econômicos diretos restritos. Ademais, o estudo identificou aproximadamente 1,7 milhão de hectares de terras já desmatadas e aptas para a cultura da soja, possibilitando expansão da produção sem novos desmatamentos.
Reis defende a Moratória como uma ferramenta para construção de uma cadeia produtiva sustentável e competitiva, respondendo a crescentes demandas por práticas ambientais responsáveis nos mercados global e nacional. A estratégia, segundo ele, pode ajudar a preservar a floresta e sustentar a agricultura.
Recentemente, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) se desfiliou da Moratória, resultando em quatro ações judiciais atualmente sob revisão do Supremo Tribunal Federal (STF). As discussões judiciais e uma tentativa fracassada de mediação, culminaram no retorno dos processos aos ministros relatores, que deverão ser julgados a partir de 12 de agosto de 2026.
Este cenário complexo sublinha o delicado equilíbrio entre desenvolvimento econômico e conservação ambiental, um desafio persistente para o Brasil na gestão de suas valiosas e extensas áreas florestais.
Fim da Moratória da Soja pode ampliar destruição da Amazônia
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