Sensor de Baixo Custo para Monitoramento da Qualidade do Ar Será Lançado em Brasília
Um novo sensor de baixo custo para medir a poluição do ar, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), será apresentado nesta segunda-feira (6) no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília. Este equipamento tem como objetivo expandir a rede de monitoramento da qualidade do ar em todo o Brasil, focando especialmente em comunidades tradicionais e áreas que muitas vezes não são contempladas pelo atual sistema de monitoramento nacional. A novidade é parte da estratégia para implementar a Política Nacional de Qualidade do Ar, estabelecida pela Lei 14.850/2024, que busca um acompanhamento mais abrangente e eficiente do ar nas diferentes categorias fundiárias, como Terras Indígenas e unidades de conservação.
Segundo o pesquisador do Ipam, Filipe Viegas Arruda, apenas 12 das 570 estações de monitoramento da qualidade do ar em todo o Brasil estão localizadas em Terras Indígenas. “A gente quer que esse monitoramento seja feito além das cidades e alcance todas as categorias fundiárias”, enfatiza o pesquisador. Isso é de extrema importância, considerando que o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, aponta que a qualidade do ar tem enfrentado sérios problemas, especialmente em regiões onde extremos climáticos, como secas e queimadas, se tornaram frequentes.
A RedeAr: Uma Iniciativa Comunitária
O primeiro lote com 60 sensores tecnológicos será distribuído a partir da rede Conexão Povos da Floresta, uma colaboração entre o Ipam, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS). O objetivo é criar a RedeAr, que começará suas atividades em setembro, para monitorar poluição, umidade e temperatura em comunidades tradicionais e áreas públicas da Amazônia Legal. Os dados coletados serão integrados a indicadores de doenças respiratórias, disponíveis pela Secretaria Nacional de Saúde Indígena (Sesai) e pelo Telesaúde.
Uma análise técnica do Ipam revela que em 2024, a combinação de secas severas e queimadas resultou em 138 dias de ar nocivo à saúde em estados da Região Amazônica. “Muitas vezes se tem a falsa ideia de que os indígenas e as pessoas da Amazônia respiram ar puro. Não é isso que vem acontecendo”, alerta Arruda.
Tecnologia Adaptada à Amazônia
Atualmente, a maioria dos equipamentos utilizados para medir a qualidade do ar no Brasil é importada, o que eleva os custos e dificulta o acesso à assistência técnica, especialmente em áreas remotas. O novo sensor desenvolvido pelo Ipam tem um sistema de proteção interna que impede a entrada de insetos e poeira, comuns na região. Além disso, o modelo permite que os dados sejam armazenados localmente em caso de falha no sinal da internet, facilitando a integração com outros dispositivos.
Arruda projeta que, com a integração dos novos sensores com os existentes e futuras expansões, a RedeAr contará com 200 sensores até o final do ano. Ele também destaca a importância do engajamento nas comunidades para fomentar programas de educação ambiental e reforçar políticas de prevenção e combate a queimadas.
O novo sensor estará exposto na tenda da Coiab durante o evento do Abril Indígena, no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília, que acontece até o dia 11 de abril.
Sensor do ar de baixo custo será lançado no Acampamento Terra Livre
Fonte: Agencia Brasil.
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