SITUAÇÃO DE SAÚDE NO ORIENTE MÉDIO SE AGRAVA COM ATAQUES A CENTROS MÉDICOS
Os conflitos no Oriente Médio, especialmente no Líbano e no Irã, estão gerando uma crise humanitária profunda, exacerbada por uma série crescente de ataques a centros e profissionais de saúde. Desde o início da nova fase do conflito em março, o Líbano registrou 70 unidades de saúde atingidas por bombardeios, enquanto cerca de 300 equipamentos do setor no Irã foram danificados. As consequências para a população são alarmantes, já que os ataques resultaram na morte de 42 médicos e ferimentos a outras 119 pessoas no Líbano, complicando ainda mais a saturada infraestrutura de saúde da região, que já enfrenta desafios significativos na atenção aos feridos e em tratamento por conflitos anteriores.
Estes ataques são considerados uma violação do direito humanitário internacional. Enquanto o Líbano denuncia bombardeios frequentes às suas unidades de saúde, Israel e Estados Unidos mantêm negações sobre a intencionalidade desses atos. Em um contexto mais amplo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que esses ataques tornam ainda mais difícil a assistência a mais de 2,9 mil feridos pelo conflito, além dos pacientes em tratamento que já lidam com a sobrecarga das infraestruturas de saúde locais.
A Força de Defesa de Israel defende suas ações alegando que o Hezbollah estaria utilizando instalações médicas para fins militares. O porta-voz israelense Avichay Adraee declarou que a FDI atuaria contra essa prática, embora a Anistia Internacional tenha contestado essas alegações, argumentando que Israel não fornece provas concretas e critica a estratégia de tratar hospitais e médicos como alvos. “Isso não justifica tratá-los como campos de batalha”, afirma Kristine Beckerle, diretora regional da Anistia.
No Irã, o Ministério da Saúde também relatou impactos significativos, com 313 centros médicos afetados e 23 profissionais de saúde mortos. A Cruz Vermelha Iraniana corroborou esses dados, mencionando que 94 ambulâncias foram alvejadas. O governo iraniano apontou que os ataques visam a desestabilização do país.
Diante desse cenário, analista em geopolítica, Anwar Assi, ressalta que a alta incidência de ataques a instalações de saúde indica uma estratégia deliberada, não meramente colateral. Segundo ele, tais ações visam pressionar e aterrorizar as populações civis, criando condições que possam se tornar propícias à revolta interna.
“É um crime de guerra, e o objetivo é fazer com que a população busque mudança de regime”, opina Assi, ao destacar que os danos em hospitais têm consequências diretas sobre a capacidade de atendimento médico nas áreas afetadas.
Os dados mais alarmantes estão concentrados também na Faixa de Gaza, onde, desde 7 de outubro de 2023, a OMS registrou 931 ataques contra unidades de saúde, resultando na morte de 991 profissionais da saúde e ferindo cerca de 2.000. Tais números exemplificam a severidade da situação e a contínua preocupação com a proteção dos direitos humanos na região.
Israel e EUA atacaram quase 400 unidades de saúde no Líbano e Irã
Fonte: Agencia Brasil.
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