Estudo aponta avanço global na transição para longe dos combustíveis fósseis
A construção de um mapa de transição global para reduzir a dependência de combustíveis fósseis já conta com referências em mais de 50 países, segundo um estudo recente do Observatório do Clima em parceria com organizações internacionais. A pesquisa, divulgada nesta terça-feira (10), revelou que 46 nações estão mobilizadas em iniciativas de descarbonização no setor energético, além de 11 outros estudos voltados para a limitação e redução da oferta de petróleo, gás e carvão. Os pesquisadores defendem que o combate à mudança climática, por meio da diminuição das emissões de gases do efeito estufa, é um dos principais motivadores, complementado pela busca de proteção contra a instabilidade geopolítica causada por conflitos e guerras.
“A dependência dos combustíveis fósseis não é apenas uma vulnerabilidade econômica, mas um motor de instabilidade global, expondo produtores e consumidores a riscos climáticos e de segurança”, afirmou Katrine Petersen, assessora sênior de políticas da think-tank E3G. Entre os países que se destacam na transição energética estão Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Noruega, Colômbia, Canadá e Brasil, que já implementam planos que envolvem eletrificação, expansão das energias renováveis, descomissionamento de instalações e reformas nos subsídios aos combustíveis fósseis.
Entretanto, o estudo enfatiza que esforços isolados não são suficientes para enfrentar as crescentes ameaças globais. “Sem um planejamento e cooperação internacional entre países produtores e consumidores, a transição pode resultar em insegurança energética e volatilidade econômica”, alerta o documento. Cláudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima, destaca a necessidade de um processo global que aborde a dinâmica do consumo e produção nos diferentes países.
O relatório sugere cinco princípios orientadores para a construção de um mapa de transição, que incluem alinhamento com a ciência do clima, uma abordagem que considere tanto os aspectos de produção quanto de consumo, planejamento inclusivo, garantia de soberania nacional e fundamentação nos direitos humanos. Os pesquisadores argumentam que um planejamento coordenado pode trazer segurança aos países produtores, como o Brasil, que precisa de trajetórias previsíveis para diversificar sua matriz energética.
“Os países dependentes das receitas de combustíveis fósseis necessitam de coordenação internacional para ter sucesso na transição”, destacou Stela Herschmann, especialista em Política Climática do Observatório do Clima. Para Cláudio Ângelo, é crucial que a comunidade internacional defina uma data que permita ao mercado e à sociedade se prepararem adequadamente para essa transição necessária.
Instabilidade geopolítica acelera busca por independência do petróleo
Fonte: Agencia Brasil.
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