EUA Firmam Acordo Militar com 16 Países da América Latina para Combate a Cartéis de Drogas
Na última quinta-feira (5), o governo dos Estados Unidos, sob a liderança do secretário de Defesa Pete Hegseth, anunciou a formação de uma coalizão com 16 países latino-americanos durante a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, realizada em Doral, na Flórida. O novo acordo tem como objetivo o combate ao narcotráfico na região, que os EUA consideram uma ameaça à segurança do continente. A declaração de Hegseth chamou a atenção ao mencionar que os Estados Unidos estão prontos para agir sozinhos, caso necessário, o que levanta preocupações sobre a violação da soberania territorial das nações latino-americanas.
A conferência, que reuniu representantes da Argentina, Guiana, Bolívia, Equador, Paraguai, Chile, Perú, Belize, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, Panamá e Trinidad e Tobago, marca um esforço significativo para militarizar o combate ao tráfico de drogas. A coalizão se baseia na Doutrina Monroe, uma política de longa data que afirma a proeminência dos EUA nas Américas e foi revitalizada pela administração Trump.
Hegseth declarou: “Nossa preferência — e o objetivo desta conferência — é que, no interesse deste hemisfério, façamos isso juntos; com vocês, com nossos vizinhos e com nossos aliados.” Entretanto, a retórica agressiva levanta preocupações entre especialistas e líderes regionais, que alertam sobre os riscos de uma militarização excessiva do combate ao narcotráfico.
Ronaldo Carmona, professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra, classificou a declaração de Hegseth como uma “ameaça gravíssima”, ressaltando que a história de intervenções americanas na América Latina sugere que a retórica pode se materializar em ações concretas. Ele destaca que os EUA tentam “latino-americanizar” a questão da segurança, utilizando isso como pretexto para intervenções e desconsiderando a capacidade dos países da região de lidar com suas próprias questões.
O secretário de Defesa também enfatizou a importância de ter acesso irrestrito a áreas estratégicas e ao comércio para que as nações latino-americanas possam se industrializar. Contudo, isso ignora os apelos de países como México e Brasil, cujos governos insistem que o combate a cartéis deve ocorrer respeitando a soberania de cada nação. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que a cooperação deve ser mútua, “como iguais”, enquanto o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, inclui o narcotráfico em sua agenda de negociações com Washington.
A Colômbia, representada pelo presidente Gustavo Petro, também expressou uma perspectiva crítica, afirmando que a solução para o narcotráfico deve ser uma aliança entre os países da região, sublinhando que a competição pelo domínio pode resultar em mais conflitos do que soluções eficazes.
Neste contexto, essa nova aliança militar reflete não apenas um enfrentamento ao narcotráfico, mas também um reconfiguração das relações de poder na América Latina, levantando questionamentos sobre a verdadeira intenção dos EUA na região e as implicações para a soberania dos países latino-americanos envolvidos.
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EUA ameaçam “agir sozinho” em países latinos-americanos
Fonte: Agencia Brasil.
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