Governo Federal Anuncia Regulamentação de Salvaguardas em Acordos Comerciais
O governo federal, por meio do presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, anunciou nesta quinta-feira (19) a edição de um decreto visando regulamentar salvaguardas, instrumentos essenciais de proteção a produtores nacionais em acordos comerciais firmados pelo Brasil. A declaração foi feita durante a abertura da 35ª Festa Nacional da Uva e Feira Agroindustrial em Caxias do Sul (RS). A nova medida permitirá que o governo estabeleça regras claras para a aplicação de mecanismos de proteção à produção brasileira diante de aumentos inesperados de importações que possam prejudicar setores da indústria e do agronegócio.
Alckmin ressaltou que, “se houver aumento grande de importação, a medida pode ser acionada imediatamente”, demonstrando a agilidade que o governo pretende implementar na utilização das salvaguardas. O decreto abrangerá não apenas acordos já vigentes, mas também futuros compromissos comerciais do Brasil. As salvaguardas são mecanismos previstos em tratados comerciais que possibilitam uma resposta do país a surtos de importações resultantes da redução de tarifas negociadas.
Funcionamento das Salvaguardas
As salvaguardas permitem ao governo brasileiro adotar várias medidas em casos de comprovada ameaça à produção nacional. Entre as opções disponíveis estão:
- Estabelecimento de cotas de importação;
- Suspensão da redução tarifária prevista no acordo;
- Restabelecimento do nível de imposto anterior à vigência do tratado.
O novo decreto também definirá prazos, procedimentos de investigação e as condições para a aplicação destas medidas, proporcionando uma estrutura mais robusta para a proteção do setor produtivo.
Expansão dos Acordos Comerciais
A regulamentação das salvaguardas surge em um contexto de ampliação da rede de acordos comerciais do Mercosul. Desde 2023, o bloco concluiu negociações com Singapura, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e, mais recentemente, com a União Europeia. Com isso, a participação da corrente de comércio brasileira coberta por preferências tarifárias aumentou de 12% para 31,2%, refletindo um crescimento significativo no alcance dos acordos firmados.
Frente a esse cenário ampliado, o governo considera necessária a criação de uma disciplina específica para garantir previsibilidade e segurança jurídica no uso das salvaguardas.
Detalhes sobre o Acordo Mercosul-UE
Durante sua visita à Festa da Uva, Alckmin também comentou sobre o cronograma de desgravação tarifária previsto no acordo entre Mercosul e União Europeia. A redução das tarifas será implementada de forma gradual, com o intuito de facilitar a adaptação dos produtores nacionais. Para o vinho, o prazo será de oito anos, enquanto os espumantes terão um período de 12 anos para ajustes.
Setor de Vinhos e Reforma Tributária
Além do acordo com a União Europeia, o setor de vinhos deve ser beneficiado nos próximos anos pela reforma tributária, que deverá reduzir a carga de impostos sobre vinhos nacionais em cerca de 7%. Essa medida é vista como uma estratégia para fortalecer a competitividade do setor.
Antes do evento, Alckmin se reuniu com representantes do setor produtivo da Serra Gaúcha, abordando, além do acordo com a União Europeia, questões relacionadas à reforma tributária, tarifas internacionais e linhas de crédito para renovação de frota de caminhões.

Alckmin anuncia regulamentação de salvaguardas em acordos comerciais
Fonte: Agencia Brasil.
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