InternacionalEl Niño impacta pesca e ecossistemas no Atlântico, aponta estudo

El Niño impacta pesca e ecossistemas no Atlântico, aponta estudo

Estudo revela impactos do El Niño no Oceano Atlântico e na pesca na África e América do Sul

Um estudo publicado na revista Nature Reviews Earth & Environment nesta quinta-feira (18) amplia a compreensão sobre os efeitos do fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS) no Oceano Atlântico, com implicações diretas para a pesca em diversas regiões da África e América do Sul. O ENOS, que se refere à alternância entre o esfriamento (El Niño) e o aquecimento (La Niña) do Oceano Pacífico, resulta de variações de pressão e das circulações oceânicas e atmosféricas, afetando a dinâmica climática em regiões distantes.

De acordo com a pesquisa, coordenada por especialistas das universidades federais do Brasil em colaboração com instituições internacionais, o ENOS provoca mudanças significativas nos padrões de chuvas, ventos e temperaturas, além de influenciar a salinidade do oceano e o fluxo de grandes rios. Essas alterações impactam a disponibilidade de nutrientes e oxigênio nas águas, fundamentais para a saúde do fitoplâncton – a base da cadeia alimentar marinha. Isso, por sua vez, repercute na abundância de peixes e crustáceos de importância econômica.

Os autores do estudo, incluindo a professora Regina Rodrigues, destacam a complexidade dos impactos do fenômeno, que não são uniformes e variam conforme a região, a espécie de peixe e o momento analisado. “Essa pluma que chega à costa do Norte e Nordeste do Brasil contém nutrientes que são a base da cadeia alimentar”, explica a pesquisadora. No entanto, enquanto o El Niño pode prejudicar a produtividade da pesca em algumas áreas, ele pode favorecer a captura do camarão marrom, devido à menor turbidez da água e à maior penetração da luz solar.

No Sul do Brasil, as consequências do El Niño são distintas; a pesquisa aponta que, lá, o fenômeno se associa ao aumento das chuvas, o que tende a beneficiar as pescarias de certas espécies. Na região central do Atlântico Sul, uma maior captura de albacora, um tipo de atum, foi observada durante os eventos de El Niño.

Os autores do estudo, incluindo Ronaldo Angelini, coautor e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, destacam a necessidade de integrar processos físicos, biogeoquímicos e ecológicos para entender as variações nas respostas da pesca ao ENOS. Essa atividade busca elucidar por que as respostas observadas nem sempre são lineares e consistentes ao longo do tempo, especialmente à luz da mudança climática, que afeta a frequência e a intensidade do fenômeno.

Além de identificar lacunas no conhecimento atual, como a escassez de séries históricas de dados pesqueiros, o estudo propõe caminhos para melhorar a previsão dos seus impactos. Os pesquisadores defendem um modelo de monitoramento oceânico coordenado e a criação de protocolos comuns para análise de dados, permitindo uma abordagem mais integrada e eficaz no manejo pesqueiro.

O estudo resulta de uma colaboração internacional financiada pela União Europeia e envolveu instituições da Europa, África e Brasil, ressaltando a complexidade do relacionamento entre o fenômeno ENOS e as dinâmicas pesqueiras no Atlântico.

Agência Brasil

El Niño afeta ecossistema marinho no Oceano Atlântico, diz estudo

Fonte: Agencia Brasil.

Meio Ambiente

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