A Transformação Através das Cotas na Uerj: Histórias de Superação e Mobilidade Social
Henrique Silveira, ex-estudante cotista da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e atual subsecretário de Tecnologias Sociais da prefeitura do Rio, é um exemplo claro do impacto transformador das políticas de ação afirmativa. Ele expressa sua trajetória como uma ascensão de menino que trabalhava ajudando o pai a transportar material em uma carroça para um profissional à frente da gestão pública. Segundo Henrique, “a cota transforma”, permitindo que estudantes de comunidades marginalizadas tenham acesso à educação superior e melhorem suas condições de vida. Com mais de duas décadas de existência, a política de cotas da Uerj, que foi pioneira na inclusão social em 2003, está prestes a passar por uma nova revisão legislativa em 2028, quando se encerrará a lei aprovada em 2018.
Recentemente, a Uerj promoveu um evento para conectar egressos das cotas, reunindo ex-estudantes que se destacaram em suas áreas de atuação. O sistema de cotas, que combina critérios sociais e raciais, permitiu que 32 mil estudantes ingressassem em seus cursos ao longo dos anos. A dentista Maiara Roque, uma das participantes, compartilhou suas experiências, ressaltando as deficiências que enfrentou como cotista negra em uma época onde as bolsas de estudo eram limitadas e os auxílios escassos. “Depois que você entra, você adquire um sentimento de pertencimento”, afirma Maiara, destacando a importância do reconhecimento e da autoafirmação no ambiente universitário.
Entre os ex-alunos, a percepção de que as cotas são uma porta de entrada para a educação superior é compartilhada. David Gomes, historiador e ativista pelos direitos humanos, também ingressou na Uerj por meio das cotas. Para ele, o acesso ao ensino superior proporcionou “uma perspectiva de vida” que muitos de seus amigos da infância não tiveram. David defende que a Uerj deve eliminar as barreiras socioeconômicas para o ingresso nas cotas, com foco na valorização do potencial de cada estudante, independentemente da sua situação financeira.
Na Uerj, as cotas para estudantes de escolas públicas e a política de inclusão racial são consideradas fundamentais para o combate às desigualdades no ensino superior. A lei de 2018 destina 20% das vagas para cotas raciais, incluindo indígenas e quilombolas. Além disso, a lei permite acumular bolsas de auxílios, facilitando a permanência desses alunos na universidade. Contudo, egressos destacam a necessidade de revisar os critérios de renda, questionando se os limites atuais são suficientes para abranger as realidades diversas enfrentadas por alunos de contextos desfavorecidos.
A Uerj, por meio de suas políticas de ação afirmativa, exemplifica um modelo que visa integrar estudantes de diferentes perfis socioeconômicos. Iniciativas como o pré-vestibular popular têm sido discutidas como caminhos para facilitar o acesso e proporcionar uma formação mais equitativa e inclusiva. Com um olhar voltado para o futuro, a universidade se prepara para uma nova fase de avaliação de sua política de cotas, apostando na força transformadora da educação como motor de mudança social.
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Cotas raciais da Uerj completam 22 anos e mudam trajetórias de vida
Fonte: Agencia Brasil.
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