Pré-COP em Brasília: Brasil defende urgência em financiamento climático a um mês da COP30
No primeiro dia da Pré-COP, evento preparatório para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para acontecer em Belém dentro de um mês, a delegação brasileira destacou a urgência da mobilização de recursos financeiros para o cumprimento das metas de mitigação, adaptação e transição socioeconômica diante do aquecimento global. O evento, que segue até esta terça-feira (14) em Brasília, conta com a participação de negociadores de 67 países, incluindo diplomatas e ministros. A ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Marina Silva, enfatizou, durante a abertura da mesa sobre Natureza e Clima, que a necessidade estimada para proteger as florestas é de US$ 280 bilhões por ano, cifra quatro vezes superior ao que é atualmente disponibilizado. Ela também destacou que seriam necessários US$ 16 bilhões anuais para a conservação dos oceanos.
Na cerimônia de abertura, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou a importância da ampliação do financiamento climático nos países em desenvolvimento, recordando a iniciativa política conhecida como Mapa do Caminho de Baku a Belém, que visa a coleta de US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para atender às demandas emergenciais ligadas à crise climática. A discussão sobre a reforma de bancos multilaterais e a mobilização do setor privado fizeram parte da pauta, com o objetivo de aumentar o fluxo de investimentos em quem mais necessita.
Reforço do multilateralismo
Durante uma mesa redonda ministerial, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente designado da COP30, relatou um forte alinhamento entre os países participantes no que se refere ao fortalecimento do multilateralismo e à adaptação às mudanças climáticas. Até o momento, 62 dos 195 países apresentaram formalmente suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), representando apenas 31% das emissões globais. A pressão para que regiões poluidoras, como a União Europeia e a Índia, renovem seus compromissos climáticos, ainda é um tema central nas discussões.
Gustavo Souza, diretor sênior de Políticas Públicas da Conservação Internacional (CI-Brasil), destacou a importância das conversas na Pré-COP para incentivar um compromisso climático mais ambicioso e obter o financiamento necessário para progresso efetivo.
Pressão social e demandas da sociedade civil
A representante da sociedade civil também marcou presença na Pré-COP, com cerca de 40 organizações entregando uma carta à presidência da COP30. Nesse documento, solicitam a disponibilização de US$ 86 bilhões anuais até 2030 para ações de adaptação, focadas em comunidades vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, ressaltou que a convergência entre ciência, países afetados e a sociedade civil indica um momento histórico para o avanço em ações de adaptação.
Além disso, a Climate Action Network (CAN), uma rede global de mais de 1,9 mil organizações, propôs o “Mecanismo de Ação de Belém” (BAM), destinado a criar caminhos para uma “Transição Justa”. Diferentes setores, incluindo sindicatos e organizações feministas, buscam estabelecer um espaço institucional para essa transição, que pretende incorporar não apenas questões energéticas, mas também os efeitos sociais e econômicos das transformações climáticas em curso.
As discussões da Pré-COP visam preparar o terreno para a COP30 em Belém, um evento que pode se tornar um divisor de águas para o enfrentamento da crise climática, ao dar ênfase à transformação das ações de mitigação em um compromisso integrado com adaptação e justiça social.
Brasil reafirma urgência de financiamento para ações climáticas
Fonte: Agencia Brasil.
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