Marina Silva defende planejamento para transição energética em cúpula do Brics no Rio de Janeiro
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância de um planejamento efetivo para enfrentar as mudanças climáticas e promover uma transição energética responsável. Durante a Cúpula do Brics, realizada entre os dias 6 e 7 de outubro no Rio de Janeiro, a ministra abordou as contradições em torno dos investimentos em combustíveis fósseis no Brasil, ressaltando que essa é uma questão global. “Nós vivemos um momento de muitas contradições, e o importante é que estamos dispostos a superá-las”, afirmou.
Questionada sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial do Brasil, Marina enfatizou a necessidade de uma “estratégia clara” para abordar a transição energética. Ela recordou que durante a COP28, em Dubai, o Brasil se comprometeu a migrar para uma economia livre de combustíveis fósseis. O plano inclui um “mapa do caminho” que assegura uma transição justa e planejada. “A pior forma de enfrentarmos uma situação adversa é não nos planejarmos para ela”, acrescentou a ministra.
Marina também comentou sobre o compromisso brasileiro de zerar o desmatamento até 2030, destacando os avanços já realizados, com uma redução de 46% do desmatamento na Amazônia e de 32% em todo o país. Essas ações, segundo ela, resultaram na prevenção do lançamento de mais de 400 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera, enquanto a agricultura brasileira cresceu 15%.
Liderança ambiental e financiamento internacional
Salientando o papel do Brasil como um exemplo a ser seguido em questões ambientais, a ministra destacou a importância de um respaldo financeiro robusto por parte dos países desenvolvidos para ações que enfrentem as consequências da mudança climática, especialmente em nações vulneráveis. “O Brasil, talvez, seja um dos únicos países que tem um compromisso de zerar desmatamento até 2030. E nós consideramos que isso é liderar pelo exemplo”, reiterou.
Marina mencionou que, ao longo das últimas décadas, várias decisões foram tomadas em relação à mudança climática, mas o principal desafio continua sendo a implementação dessas políticas, centrada na falta de financiamento constante e suficiente. Há uma unânime necessidade entre os países em desenvolvimento por recursos financeiros e tecnológicos que possam impulsionar suas transições.
Ela também apontou a COP29, a ser realizada em 2024 no Azerbaijão, que estipulou um objetivo de US$ 1,3 trilhão anualmente em financiamento climático para países em desenvolvimento até 2035. Entretanto, o total acordado de US$ 300 bilhões anuais ainda está aquém das necessidades reais para mitigar a crise climática.
Fundo Florestas Tropicais para Sempre
Entre as iniciativas que o Brasil vai apresentar, destaca-se o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que visa captar aproximadamente US$ 4 bilhões anualmente. Este fundo pretende financiar a conservação de florestas tropicais em cerca de 70 países, assegurando o pagamento por serviços ambientais, que são essenciais para o equilíbrio do planeta. “As florestas prestam serviços para o equilíbrio do planeta e isso ajudará a conservar florestas e seus povos originários”, afirmou Marina.
Adicionalmente, a ministra mencionou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva está estruturando propostas para remunerar propriedades rurais que excedam as reservas legais, reforçando a ideia de que ações econômicas estratégicas podem atuar diretamente no combate à mudança climática, além de promover inclusão social e geração de empregos. A implementação de medidas como o Fundo Clima e o Fundo Amazônia são parte essencial desse planejamento.
‘Estamos dispostos a superar contradições’, diz Marina sobre petróleo
Fonte: Agencia Brasil.
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