23 de janeiro de 2026
EconomiaMulheres extrativistas da Amazônia superam preconceito e ganham força

Mulheres extrativistas da Amazônia superam preconceito e ganham força

Mulheres do Maniva: Uma Revolução no Extrativismo da Ilha do Marajó

Há aproximadamente uma década, as mulheres da comunidade São José, situada no norte da Ilha do Marajó, enfrentavam críticas e preconceito ao colher murumuru na floresta amazônica. Chamadas de "loucas" e "mulheres fedorentas" por seus maridos e vizinhos, elas não se deixaram abater e perseveraram em suas atividades extrativistas. Hoje, a história dessas mulheres é marcada por conquistas significativas, que vão além da simples colheita do fruto de uma palmeira tropical; elas se tornaram protagonistas de uma transformação econômica e social que reverbera em suas vidas e na comunidade.

De acordo com Benedita de Oliveira, uma das extrativistas pioneiras da região, o início da iniciativa foi repleto de desafios. "Quando nós começamos a trabalhar, foi muito difícil. A gente saía para o mato, deixava tudo em casa e, quando chegava, ainda tinha que fazer janta, ajeitar tudo", relembra. O murumuru, antes visto como um alimento desprezível, revelou-se uma semente valiosa para a indústria cosmética, dando início a um ciclo de autonomia financeira que contribuiu para a mudança de percepção sobre o papel feminino na comunidade.

O Caminho da Autonomia

O projeto, desenvolvido em parceria com a Natura e a Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas (Ataic), não só proporcionou renda, mas também desafiou a estrutura social local. O trabalho com o murumuru e a ucuuba permitiu que muitas mulheres, que antes se dedicavam exclusivamente ao lar e à criação de filhos, passassem a ter um papel ativo na economia. A maioria delas se casou ainda na adolescência e, com a nova oportunidade, conquistou sua independência financeira e um reconhecimento social há muito almejado.

Lourdes Batista Silva, uma das primeiras a se engajar no projeto, ressalta: "Quando a gente começou a vender o murumuru, muita coisa mudou, porque passei a não depender de homem". Esse sentimento de orgulho e realização é compartilhado por muitas das participantes do grupo, que agora se reúnem no Centro de Produção das Mulheres do Maniva, um espaço dedicado ao processamento das sementes que antes eram desprezadas.

O Centro de Produção e Inovações Tecnológicas

Recentemente, o grupo conquistou avanços tecnológicos significativos. A aposentadoria do martelo manual, que causava ferimentos nas mãos, foi substituída por uma máquina que acelera o processo de extração das amêndoas de murumuru e ucuuba. Com a nova estrutura, a comunidade de extrativistas também conseguiu melhorias na qualidade de vida, como a instalação de painéis de energia solar.

Dionete da Silva Cardoso expressa a força e a união que caracterizam o grupo: "Nós somos capazes de nos transformar e transformar o mundo também… juntas, unindo as nossas forças". O impacto positivo do trabalho coletivo é evidente e se reflete no cotidiano de cada uma delas.

Desafios das Mudanças Climáticas

No entanto, a caminhada ainda apresenta desafios. As mulheres enfrentam os efeitos das mudanças climáticas, que impactam a colheita dos frutos. Dionete menciona que os últimos anos foram difíceis devido à seca, que interferiu na produção. "Quando ela acontece, diminui a produção do murumuru e de todas as espécies de frutos que nós temos aqui", destaca.

Com uma história de superação, as mulheres do Maniva não apenas transformaram suas vidas individuais, mas também influenciaram o entorno, provando que, com determinação e solidariedade, é possível desafiar normas e construir um futuro mais sustentável e igualitário.

Fotos: Anderson Águia/Natura/WEG

  1. Benedita de Oliveira mostra estufa com amêndoa do murumuru.
  2. Grupo de mulheres extrativistas no Centro de Produção das Mulheres do Maniva.

Mulheres extrativistas enfrentam preconceito e geram renda na Amazônia

Fonte: Agencia Brasil.

Economia

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