Aumento de Bloqueios Impacta Vida de 3,3 Milhões de Palestinos na Cisjordânia
Um estudo recente das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta terça-feira (27), revela que os bloqueios impostos por Israel na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, atingiram níveis alarmantes, sendo os maiores registrados nos últimos 20 anos. Aproximadamente 3,3 milhões de palestinos estão afetados por uma rede de 849 postos de controle, que restringem sua mobilidade e acesso a terrenos, oportunidades de trabalho, e serviços essenciais como saúde e educação.
Os dados apresentados pelo Escritório para Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) referem-se aos meses de janeiro e fevereiro de 2024, e evidenciam o agravamento das restrições desde o início do conflito em Gaza. O estudo detalha que houve um aumento significativo nos postos de controle móveis e rodoviários, com um crescimento de 43% no número total de bloqueios na Cisjordânia entre 2020 e 2024.
A especialista em conflitos Israel-Palestina, Moara Crivelente, observa que os bloqueios têm o objetivo de fragmentar o território palestino, facilitando uma política de colonização e controle. Segundo ela, desde a ocupação de 1967, os governos israelenses têm implementado práticas que visam a alteração demográfica da região. "Os sucessivos governantes de Israel estão empenhados em criar um ambiente coercivo que torna a vida impossível para os palestinos", afirmou.
A organização da ONU ressalta que os bloqueios estão privando os palestinos de direitos humanos fundamentais. Um exemplo ocorre em fevereiro de 2025, quando a restrição da circulação na região do Vale do Jordão comprometeu o movimento de mais de 60 mil pessoas. Ademais, cerca de 140 educadores enfrentam trajetos de até duas horas para chegar às escolas devido às barreiras.
Os profissionais de saúde também sofrem com as restrições, que afetam o atendimento de emergências. Um paramédico relatou experiências traumáticas, onde sua equipe foi retida por mais de uma hora enquanto transportava um paciente. A situação é ainda mais crítica com o aumento das restrições para o acesso à Jerusalém Oriental, que, segundo o direito internacional, é considerada território palestino.
O quadro dos bloqueios e suas consequências levantam preocupações sobre os direitos humanos na região. A classificação dos bloqueios como uma prática de apartheid é uma alegação que vem sendo apoiada por especialistas e organizações internacionais, dada a crescente opressão e o despojamento da população palestina, que também se reflete na construção do muro de segregação iniciado em 2002.
Israel, por sua vez, nega a acusação de apartheid e defende as restrições como uma medida de segurança diante de ameaças terroristas. O governo israelense também anunciou a possibilidade de anexar formalmente partes da Cisjordânia, intensificando ainda mais as tensões regionais.
Desde a criação do Estado de Israel em 1948, a realidade para os palestinos tem sido marcada pela expulsão e pela falta de um Estado soberano. As promessas dos Acordos de Oslo de 1993, que previam a criação de um Estado palestino, continuam não sendo cumpridas, o que contribui para o agravamento da crise humanitária na região.
Bloqueio de Israel a palestinos na Cisjordânia é o maior em 20 anos
Fonte: Agencia Brasil.
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