Todo ano, cerca de 5 mil crianças brasileiras nascem com fissura labiopalatina, uma malformação craniofacial que é a mais comum no país, surgindo em aproximadamente um em cada 650 nascimentos. Este dado alarmante, divulgado pelo Ministério da Saúde, chama a atenção para a necessidade de tratamento especializado desde os primeiros meses de vida da criança.
Caracterizada pela não junção completa do lábio ou do palato (céu da boca) durante a gestação, a fissura labiopalatina pode variar em tamanho e afeta não só a aparência, mas também funções básicas como alimentação, fala, audição e respiração. Mais do que um problema estético, esta condição traz implicações emocionais e sociais profundas, que acompanham o indivíduo ao longo de sua jornada.
O tratamento, que envolve uma equipe multidisciplinar incluindo cirurgiões, fonoaudiólogos, odontólogos, psicólogos, pediatras e otorrinolaringologistas, é longo e pode se estender por diversos anos. O diagnóstico precoce, que muitas vezes pode ser realizado ainda no pré-natal através de ultrassonografia, é crucial para um prognóstico favorável e para a qualidade de vida do paciente.
Em Bauru, no interior de São Paulo, localiza-se o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo, conhecido como Centrinho, fundado em 24 de junho de 1967. Referência nacional e internacional no tratamento da fissura labiopalatina, o Centrinho já tratou mais de 100 mil pacientes em seus quase 60 anos de história e se destaca pela qualidade do acompanhamento que oferece, garantindo a reabilitação e a inserção social dos pacientes.
Foto de Arquivo: Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo. Foto: HRAC-USP/Divulgação.
Por outro lado, existem desafios associados ao tratamento, como a limitação no acesso em regiões como Norte e Nordeste do Brasil, contrastando com a disponibilidade de recursos em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Além disso, a carga emocional para as famílias é intensa, destacando a necessidade de um suporte robusto.
Para aumentar a consciência sobre esse assunto e combater o estigma associado à condição, o Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina é celebrado em 24 de junho. As atividades neste dia visam educar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, enfatizando que, com o cuidado correto, os pacientes podem ter uma excelente qualidade de vida.
Fissura labiopalatina demanda tratamento precoce e multidisciplinar
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