Na tarde de uma sexta-feira típica, Nayara Porto foi surpreendida por uma notícia devastadora enquanto preparava o pudim favorito de seu marido, Everton Lopes Ferreira. A ruptura da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, operada pela Vale em Brumadinho, MG, foi anunciada pela vizinhança, introduzindo um clima de desespero e incerteza. Nayara tentou desesperadamente contatar seu marido, que trabalhava no local no momento do desastre, sem sucesso inicialmente, conforme relatou ao programa “Natureza Viva” da Rádio Nacional, ligada à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A tragédia ocorrida em 25 de janeiro de 2019, classificada como “tragédia-crime” pela Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (AVABRUM), ceifou a vida de 272 pessoas. Após 2.557 dias, a justiça ainda não responsabilizou criminalmente nenhum indivíduo, apesar das audiências preliminares terem sido agendadas para fevereiro de 2023, indicando um movimento em direção à possibilidade de julgamento dos envolvidos até 2027.
Fotografias capturando as buscas por vítimas, cortesia de Adriano Machado/Reuters, evidenciam os esforços contínuos para resgate e reparação na área impactada. A Vale, responsável pela barragem, apontou seus esforços em direcionar 81% do Acordo Judicial de Reparação Integral até dezembro de 2025, enfatizando investimentos que transcendem meras indenizações e visam a reconstrução e sustentabilidade da região.
Esta situação ecoa incidentes anteriores ligados à mineração irresponsável e a lacunas significativas no sistema de fiscalização e licenciamento ambiental no Brasil, como apontado pela jornalista Cristina Serra. Enquanto outras companhias, como a Samarco e a TÜV SÜD, sustentam suas posições através de comunicados, a busca por justiça e recuperação continua, marcada por um ato significativo de memória organizado pela AVABRUM, honrando as vidas perdidas naquela trágica sexta-feira.
Após 7 anos, tragédia de Brumadinho será examinada na Justiça
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