O isolamento geográfico de comunidades ribeirinhas no Amazonas impõe desafios significativos ao acesso à saúde, mas recentes inaugurações prometem transformar essa realidade. Aldeniza Silva e Silva, grávida de sete meses da comunidade de Boa Vista, e outras como ela, agora encontrarão serviços médicos mais próximos de casa. Antes dependentes de viagens fluviais até Carauari, essas comunidades beneficiam-se dos novos pontos de atendimento da Fundação Amazônia Sustentável (FAS).
Os deslocamentos para buscar atendimento médico, que poderiam durar até três dias, são agora significativamente reduzidos. “Agora [a distância] é só de uma praia”, comemora Aldeniza, referindo-se ao novo posto de saúde na base da FAS em Campina, que simplifica o acesso ao pré-natal, essencial para a saúde dela e do bebê. A dificuldade de acesso anteriormente limitava muitas gestantes a apenas três consultas durante a gravidez, contra as seis recomendadas pelo Ministério da Saúde.
A estrutura dos novos pontos de atendimento, adaptada à realidade local, inclui consulta presencial, telessaúde, odontologia, e é completamente integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS), dentro do projeto “SUS na Floresta”. Este esforço conjunto entre entidades públicas e privadas visa reforçar, e não substituir, a estrutura de saúde existente, alinhando-se com o programa Juntos pela Saúde, gerido pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS).
Os novos centros já começaram a fazer a diferença na vida dos moradores locais, prevenindo casos que necessitariam de resgate médico urgente e proporcionando atendimento regular e especializado perto de casa. Essas mudanças não apenas melhoram a qualidade de vida dos ribeirinhos mas também contribuem para a sustentabilidade da saúde na região, conforme aponta Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS.
Lucas Bonny da FAS registrou a atividade no Posto de Saúde de Bauana, mostrando o impacto visível das inaugurações nas comunidades. Com a proximidade destes serviços, espera-se que os moradores destas remotas localidades tenham melhor acesso a cuidados contínuos e uma vida mais segura, sem a necessidade de jornadas extenuantes e onerosas por atendimento médico.
Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas
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