Aumento de 44,5% na distribuição de Natalizumabe pelo SUS aponta melhoria no tratamento da esclerose múltipla
Uma recente análise de dados, conduzida pelos pesquisadores do Einstein Hospital Israelita, destacou uma significativa expansão na distribuição do medicamento Natalizumabe, utilizado em formas agressivas de esclerose múltipla, com um aumento de 44,5% na cobertura pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no período de 2019 a 2023. Esse crescimento acompanha a revisão das diretrizes nacionais implementadas pelo Ministério da Saúde em 2021, que atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a doença, incentivando o uso de terapias de alta eficácia.
Além do aumento na distribuição de Natalizumabe, a análise, que envolveu o exame de mais de 1,7 milhão de registros, também indicou uma redução de 54% nas trocas entre medicamentos de eficácia semelhante, favorecendo a adoção de tratamentos mais eficazes. O estudo foi publicado na renomada revista Multiple Sclerosis and Related Disorders, contando com a colaboração da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Registro de Doenças Neurológicas (REDONE).
“A inserção de terapias mais eficientes nas diretrizes aumenta substancialmente a capacidade de manejar a doença, proporcionando aos pacientes uma melhor qualidade de vida e reduzindo a progressão da incapacidade,” explicou a Dra. Lívia Almeida Dutra, neurologista e uma das autoras do estudo. Ela também enfatizou a importância de fortalecer a rede de atendimento especializado para garantir o acesso equitativo a essas terapias em todo o território nacional.
Lucas Hernandes Correa, gerente do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde do Einstein Hospital Israelita e também autor do estudo, apontou que a velocidade de incorporação das terapias de alta eficácia varia entre os estados, sendo mais rápida onde há uma maior concentração de neurologistas e centros especializados. Ele ressaltou a necessidade de monitorar grandes bases de dados para assegurar que as políticas públicas alcançem os resultados desejados, além de orientar investimentos em infraestrutura e capacitação profissional.
Esta análise reforça o papel crucial das evidências científicas na formulação de políticas de saúde eficazes, que estão diretamente ligadas ao bem-estar e à qualidade de vida dos pacientes com esclerose múltipla no Brasil.
Distribuição de medicamentos para esclerose múltipla aumentou
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