Críticas à Elevação da Taxa Selic: Setor Produtivo Reage
A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil de elevar a Taxa Selic para 14,25% ao ano — o maior nível em 19 anos — provocou uma onda de críticas por parte de entidades do setor produtivo. Indústrias, comerciantes e centrais sindicais se posicionaram contra o aumento, que consideram excessivo e potencialmente prejudicial ao emprego e à renda da população. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Paulista de Supermercados e outras organizações manifestaram sua preocupação com a relação entre juros altos e a desaceleração da economia, especialmente em um cenário internacional desafiador, como a recessão técnica dos Estados Unidos.
Em nota, a CNI destacou que o aumento em 0,5 ponto percentual representa um "fardo ainda mais pesado" para a economia brasileira. A entidade apontou que, embora o controle da inflação seja um objetivo relevante, a medida pode trazer "riscos significativos", exacerbando a desaceleração econômica. O presidente da CNI, Ricardo Alban, pediu uma abordagem mais cautelosa do Copom, diante das expectativas de um possível fortalecimento do dólar nos próximos meses.
A Associação Paulista de Supermercados questionou a continuidade do ciclo de alta da Selic, ressaltando que o Brasil, em um contexto de neoprotecionismo global, favorece o rentismo e a especulação em detrimento da geração de empregos. A associação argumentou que tal política compromete o investimento produtivo e o crescimento econômico sustentável.
Por outro lado, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) justificou a elevação da taxa, evidenciando que a inflação permanece elevada, superando o teto da meta estabelecida. O economista-chefe da ACSP, Ulisses Ruiz de Gamboa, citou a aceleração da inflação como justificativa para uma política monetária contracionista, mesmo com a desaceleração gradual da atividade econômica.
As centrais sindicais, incluindo a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, expressaram suas críticas, afirmando que a elevação representa um aperto econômico que desconsidera as necessidades da população. A CUT enfatizou que a atual taxa de juros compromete o desenvolvimento econômico, aumentando o custo de vida e o endividamento de famílias e empresas. A Força Sindical, por sua vez, classificou a decisão como “irresponsabilidade social”, condenando o impacto sobre a economia e a sociedade.
As reações em resposta à elevação da taxa de juros sublinham a tensão entre a política monetária e as diretrizes do desenvolvimento econômico no Brasil, evidenciando a complexidade do cenário econômico atual e as preocupações com o futuro.
Entidades do setor produtivo criticam aumento da Selic
Fonte: Agencia Brasil.
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