16 de janeiro de 2026
EducaçãoProfessores do Rio denunciam atraso salarial em mais de 100 escolas

Professores do Rio denunciam atraso salarial em mais de 100 escolas

Professores do Rio de Janeiro Alertam sobre Escolas que Atrasam Pagamentos

Em grupos de redes sociais e plataformas de mensagem, docentes do Rio de Janeiro têm compartilhado uma lista alarmante de escolas particulares que vêm enfrentando sérios problemas financeiros, resultando em atraso de salários e não pagamento de encargos trabalhistas. A Agência Brasil teve acesso a um documento que indica mais de 100 instituições que, segundo relatos, têm atrasado pagamentos e, em alguns casos, estimulado práticas de assédio moral. A lista abrange escolas até mesmo em áreas nobres da zona sul da cidade. Comentários que circulam entre os professores revelam relatos de descumprimento das normas trabalhistas, como orientações para não aceitarem ofertas de trabalho em locais onde os pagamentos são frequentemente feitos de forma irregular.

Um dos professores que enfrenta essa situação, identificado apenas como João, compartilha sua experiência em duas escolas que não honraram seus impostos trabalhistas. A primeira instituição fechou suas portas após uma sequência de atrasos, enquanto a segunda, localizada na zona sul, também não conseguiu manter seus compromissos financeiros. “Trabalhei de graça em ambos os lugares”, lamenta João, apontando que essa dinâmica gera alta rotatividade entre docentes e prejudica o aprendizado dos alunos, que frequentemente têm diferentes professores ao longo do ano.

De acordo com dados do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio), a situação é comum e não se limita a João. O sindicato encontra-se atualmente em litígios legais com cerca de 36 escolas por irregularidades trabalhistas, refletindo um quadro preocupante para a educação privada no estado.

Conforme destaca Afonso Celso Teixeira, diretor do Sinpro-Rio, o cenário atual demonstra um desrespeito pela classe. “Tratar a educação como mercadoria afeta a relação humana e a essência libertadora do ensino”, afirma. A pesquisa divulgada em 2022 pelo Grupo Rabbit reforça que muitos professores da rede privada enfrentam salários inferiores ao piso nacional estabelecido para a educação pública, que naquela época era de R$ 3.845.

O Rio de Janeiro possui a segunda maior taxa de matrícula em escolas privadas do Brasil, com 30,9% dos estudantes nessa modalidade, o que levanta a questão da qualidade e da remuneração dos profissionais de ensino, especialmente em um contexto onde 70% das escolas locais são consideradas pequenas, dificultando sua capacidade financeira de manter funcionários adequadamente remunerados.

O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) afirma que a falta de pagamento dos funcionários é passível de multa e pode resultar em condenação ao dobro do valor do salário devido. O promotor Cassio Luis Casagrande ressalta a importância de respeitar as leis trabalhistas, independentemente da situação financeira das escolas. Para os professores em situações semelhantes, o Sinpro-RJ orienta que busquem apoio do sindicato, que se encarrega de intermediar conflitos e, quando necessário, levar o caso à Justiça.

O crescimento das escolas particulares no Brasil, especialmente em um cenário onde a matrícula na rede pública diminuiu levemente, está longe de refletir a saúde financeira dessas instituições. Enquanto isso, o diálogo entre escolas e professores, mediado por sindicatos, aparece como uma solução viável para resolver as dificuldades financeiras sem sacrificar os direitos dos trabalhadores da educação.

Professores do Rio denunciam escolas que não pagam salários

Fonte: Agencia Brasil.

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