Conflito em La Paz: Bloqueios de Estradas Desafiam Novo Governo de Rodrigo Paz
Uma onda de protestos toma conta de La Paz, capital da Bolívia, onde uma série de bloqueios nas principais estradas desafia a autoridade do recém-empossado presidente Rodrigo Paz. Há apenas seis meses no poder, Paz enfrenta uma crescente insatisfação popular, provocada pela promulgação da Lei 1.720, que altera a propriedade de terras no país. Os manifestantes, compostos principalmente por movimentos indígenas e trabalhadores, exigem a revogação da legislação que, segundo eles, ameaça as terras coletivas e pode levar à especulação imobiliária.
Desde que a lei foi aprovada em março e promulgada em abril, os protestos tomaram os departamentos de Pando e Beni, avançando rumo à capital em marchas que já somam quase 30 dias e percorrem mais de 400 quilômetros. Inicialmente focados na revogação da lei, os protestos se ampliaram, incorporando diversas categorias, como professores e mineiros, que agora clamam pela renúncia do presidente. A Central Operária Boliviana (COB), principal entidade sindical do país, convocou uma greve geral “por tempo indeterminado” e denunciou casos de repressão policial.
Em resposta à crescente pressão, Rodrigo Paz revogou a Lei 1.720 em 12 de maio, dando um prazo de 60 dias para o Parlamento discutir um novo texto. Apesar da revogação, líderes de movimentos sociais consideram que essa medida é apenas uma trégua temporária e mantêm as exigências por uma nova legislação que não beneficie apenas os interesses empresariais. A pressão popular segue intensa, enquanto o governo tenta deslegitimar os protestos, acusando seus líderes de vínculos com o narcotráfico, algo que é refutado por muitos no campo social.
Enquanto as tensões continuam a aumentar nas ruas de La Paz, a crise política e social da Bolívia se aprofundou, exacerbada por uma economia em dificuldade e questões culturais subjacentes que desafiam a gestão de Paz. A população, cansada de anos de austeridade e inflação crescente, clama por políticas que reflitam suas necessidades e preocupações.
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Foto: Reuters/Claudia Morales/Arquivo/Proibida reprodução
Além disso, a crise se intensificou desde dezembro de 2025, quando o governo de Paz anunciou a revogação de subsídios a combustíveis, desencadeando uma série de protestos populares. A resposta popular levou à retomada dos subsídios, mas a insatisfação persiste, com reivindicações constantes sobre os preços de bens essenciais. Alina Ribeiro, doutoranda em Ciência Política na Universidade de São Paulo (USP), ressalta que a insatisfação com os preços e a gestão econômica do governo de Rodrigo Paz são agora as principais causas de inquietação social.
Nesta turbulência política, Paz também anunciou projetos de reforma que contemplam mudanças na Constituição, visando atrair investimentos estrangeiros, o que levantou críticas de que o governo está priorizando capitais internacionais em detrimento dos interesses da população local. A desconfiança política é palpável, com movimentos sociais clamando por uma representação verdadeira dos trabalhadores, camponeses e indígenas da Bolívia, enquanto tentativas do governo em mitigar a crise podem ser insuficientes para restaurar a confiança da população.
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Foto: Reuters/Claudia Morales/Arquivo/Proibida reprodução
Bloqueios e pressão popular exigem renúncia do presidente da Bolívia
Fonte: Agencia Brasil.
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