Mineração de Manganês em Marabá Levanta Preocupações Ambientais e Sociais
A extração de manganês em Rio Preto, um distrito do município de Marabá, no sudeste do Pará, está em ascensão, contribuindo para a exportação desse mineral estratégico para vários países, incluindo Estados Unidos, México, Noruega, China e Índia. Este metal é considerado essencial na transição energética, caracterizada pela substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia mais limpas, visando a redução das emissões de gases do efeito estufa e a mitigação das mudanças climáticas. Entretanto, um estudo recente das pesquisadoras Ailce Alves e Larissa Santos expõe a realidade sombria que se esconde por trás do discurso de sustentabilidade, revelando os impactos ambientais e sociais adversos enfrentados pela população local.
Entre os problemas detectados estão a poeira, lama, riscos de acidentes, possíveis rompimentos de barragens de rejeitos e conflitos internos nas comunidades afetadas pela mineração. As autoras argumentam que a chamada transição energética pode, na verdade, encobrir a continuidade de práticas mineradoras que prejudicam os ecossistemas nativos e intensificam desigualdades sociais. O trabalho faz parte da coleção “Politizando o Clima: poder, territórios e resistências”, que busca visibilizar as complexidades da política energética e suas repercussões na vida das comunidades que dependem desses territórios.
Os três primeiros volumes da coleção foram lançados no dia 20 de outubro no Rio de Janeiro, e o quarto está previsto para ser divulgado no final do mês. O projeto é uma iniciativa da Fundação Rosa Luxemburgo, em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/UFRRJ) e outras organizações. A coletânea visa fortalecer as articulações em prol da justiça socioambiental e questionar a intervenção de países desenvolvidos nas políticas de preservação ambiental nos países em desenvolvimento.
“Os textos da coleção mostram os impactos de uma pretensa transição verde, que resultou em um tipo de continuidade colonial no mundo. Criam-se duas condições, lideradas pelos países ricos: no próprio território, prioriza-se o verde, e os prejuízos ficam no exterior”, afirma David Williams, diretor do Programa Global de Justiça Climática da Fundação Rosa Luxemburgo em Nova York.
Além disso, a pesquisadora Elisangela Paim, uma das organizadoras, destaca que o compromisso é dialogar com as resistências que emergem nos contextos analisados. A coletânea também se propõe a discutir as narrativas predominantes sobre mudanças climáticas que são frequentemente despolitizadas, sem promover transformações estruturais.
Nos debates sobre a transição energética e suas narrativas, temas que também estarão em pauta durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em Belém no próximo mês, são gestores e governos que operam no agronegócio, na mineração e na produção de combustíveis fósseis. A expectativa é que o evento forneça uma plataforma para discutir esses desafios, permitindo um diálogo mais rico e inclusivo sobre justiça climática e as vozes das comunidades afetadas.
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Fonte: Agencia Brasil.
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