Médicos Sem Fronteiras (MSF), uma organização não governamental internacional, divulgou um relatório alarmante sobre a situação na Faixa de Gaza, destacando os ataques sistemáticos e fatalidades em centros de distribuição de alimentos. O documento, intitulado “Não é ajuda, é um massacre orquestrado”, baseia-se em dados clínicos e depoimentos recolhidos entre 7 de junho e 24 de julho deste ano.
De acordo com o relatório, situações de extrema violência foram frequentemente observadas nas clínicas de Al-Mawasi e Al-Attar, próximas aos centros administrados pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF). Nesse período, 1.380 vítimas foram tratadas, incluindo 28 mortos. Alarmantemente, 71 crianças, 25 delas com menos de 15 anos, sofreram ferimentos a bala nestas localidades.
O relatório detalha a precisão e a natureza dos ferimentos, com 11% das lesões registradas afetando cabeça e pescoço, e 19% incidindo no tórax, abdômen e costas, sugerindo uma intencionalidade nos ataques. Declarações de testemunhas e vítimas, como Mohammed Riad Tabasi, que foi repetidamente ferido, corroboram a severidade e a gravidade da situação.
MSF critica fortemente a atuação da GHF e os governos israelense e norte-americano pela promoção de um modelo de distribuição de alimentos que tem se mostrado perigoso e letal. A organização apela para a suspensão imediata de todo suporte financeiro e político à GHF, advogando pela restauração dos mecanismos de ajuda humanitária sob a égide das Nações Unidas. Além disso, narrativas chocantes como a de um jovem de 15 anos, morto enquanto tentava conseguir comida, são destacadas para ilustrar a urgência da situação.
A MSF, com quase 54 anos de operações humanitárias, expressa profunda preocupação com o nível de violência observado, classificando os locais de distribuição da GHF como armadilhas mortais. O documento termina com um apelo global por ação imediata para evitar mais perdas e injustiças em Gaza.
Créditos das imagens: Agência Brasil.
“Massacre orquestrado”, denuncia Médicos sem Fronteira sobre Gaza
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