Movimentos sociais e organizações civis unificam esforços para um “protesto contra a corrupção” na Câmara da Serra, a ser realizado nesta quinta-feira (16), a partir das 10h. A manifestação, que começará em frente ao antigo Fórum de Serra Sede, surge em resposta ao afastamento de quatro vereadores envolvidos em um escândalo que estremeceu a cidade. Entre os denunciados estão Saulinho da Academia (PDT), Teilton Valim (PDT), Cleber Serrinha (MDB) e Wellington Alemão (Rede), todos alvos de investigações do Ministério Público do Estado (MPES) por suposta corrupção e negociação de propinas.
Conforme a denúncia, os vereadores teriam negociado vantagens indevidas para aprovar emendas ao Projeto de Lei nº 69/2024. Durante uma reunião, trechos de conversas gravadas revelam a troca de risadas e a menção a pagamentos ilícitos, evidenciando um ambiente de conluio que envolvia um ex-vereador conhecido como “Moreira” e propostas de incentivos financeiros. Os protestos são organizados por grupos como o movimento de juventude Juntos, Rede Emancipa e o Movimento Esquerda Socialista (MES), também contando com o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Movimento Popular da Serra (MPS).
Dr. Thiago Peixoto, suplente de vereador prestes a assumir uma vaga, é uma das vozes mais proeminentes na convocação para o ato, indicando que o movimento demandará a abertura imediata de investigação contra os vereadores afastados e a exoneração de assessores que ainda ocupam suas funções. Entre as exigências, também está a renúncia do atual presidente da Câmara, William Miranda, além de uma auditoria cidadã que assegure a transparência no uso de recursos públicos. A concentração e mobilização revelam uma forte insatisfação popular com a gestão local.
As revelações que culminaram em manifestações de rua não são recentes. Em setembro, o juiz Gustavo Grillo Ferreira afastou os quatro vereadores após o MPES apresentar um requerimento devido a gravações que sustentam as acusações de corrupção. A situação inicial indicava que três suplentes deveriam assumir suas cadeiras; entretanto, uma decisão do desembargador Júlio César Costa de Oliveira suspendeu essa posse.
Além disso, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral está em tramitação pela alegação de fraudes relacionadas à cota de gênero nas últimas eleições para a Câmara da Serra, envolvendo partidos como União Brasil e Rede Sustentabilidade. A delicadeza da situação política local aumenta diante de um escândalo de fraudes que pode ter desviado R$ 18 milhões da Câmara e impactos em candidatos fictícios.
O Movimento Popular da Serra, junto com outros grupos, articula uma união contra o que consideram uma crise de representação na câmara, enfatizando a necessidade de ação imediata para restaurar a confiança na política local.

Fonte: Século Diário

