Após mais de quatro décadas vivendo no exílio, a ativista negra Assata Shakur, figura notória do movimento dos Panteras Negras nos Estados Unidos, faleceu aos 78 anos em Havana, Cuba. Segundo o Ministério de Relações Exteriores cubano, sua morte, ocorrida na última semana, foi resultado de problemas de saúde relacionados à idade avançada.
Joanne Deborah Chesimard, conhecida pelo pseudônimo Assata Shakur, marcou a história contemporânea tanto por sua atuação no movimento antirracista quanto pela controvérsia que suscitou em vida. Após ser condenada em 1977 pela morte do policial Werner Foerster durante um confronto em Nova Jersey em 1973, sua imagem foi motivo de polarização. Enquanto para seus defensores tornou-se um símbolo de resistência contra a opressão e a injustiça racial, para o FBI era uma “terrorista”, tornando-se em 2013 a primeira mulher a entrar na lista dos terroristas mais procurados, com uma recompensa de US$ 2 milhões por informações que levassem à sua captura.
Sua história inclui uma fuga dramática da prisão em 1979, após alegações de tortura, culminando no asilo político concedido por Cuba em 1984, onde viveu até seu passamento. Em vida, continuou a ser uma porta-voz influente, através de escritos e discursos, contra as injustiças raciais e sociais. Esta dualidade em como foi percebida — heroína para alguns, criminosa para outros — reflete as divisões profundas sobre questões de justiça racial e repressão policial.
Após seu falecimento, tributos e críticas não tardaram a surgir. O Sindicato de Professores de Chicago a homenageou em rede social, chamando-a de uma “líder da liberdade” cujo “espírito continua vivo em nossa luta”. Contrariamente, figuras conservadoras e o governador de Nova Jersey, Phil Murphy, ressaltaram a ilegitimidade de homenagens a Shakur, reiterando seu status de condenada pela morte do agente Foerster e manifestando oposição à repatriação de seus restos mortais.
Os aspectos legais de seu caso, muitas vezes contenciosos e situados dentro de um contexto mais amplo de vigilância e repressão a ativistas negros pelos Estados Unidos, foram frequentemente apontados por advogados e acadêmicos. A narrativa de sua vida ressalta a persistente nacional debate sobre até que ponto o governo pode ir na perseguição de seus críticos e a moralidade da sua resistência militante.
A morte de Assata Shakur fecha um capítulo na história turbulenta das relações raciais norte-americanas, mas a disputa pela sua memória e legado, sem dúvida, continua a ser um reflexo das tensões contemporâneas que dividem a sociedade americana.
Morte de ex-Pantera Negra reacende debate sobre racismo nos EUA
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