EconomiaMercosul firma acordo de livre comércio com quatro nações europeias

Mercosul firma acordo de livre comércio com quatro nações europeias

Mercosul Assina Acordo de Livre Comércio com EFTA em Terça-feira (16)

O Mercado Comum do Sul (Mercosul) deu um passo significativo na busca por novas oportunidades comerciais ao firmar um acordo de livre comércio com quatro nações da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA)—Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein—na terça-feira (16) no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro. Este tratado, que começou a ser negociado em 2017 e teve seus termos finais definidos em junho de 2025, cria um novo mercado de 290 milhões de consumidores e uma economia somada de aproximadamente US$ 4,39 trilhões (mais de R$ 23 trilhões em 2024). Atualmente, o Brasil ocupa a presidência pro tempore do Mercosul, que inclui também Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e a Venezuela, que segue suspensa.

O acordo com a EFTA surge em um cenário global marcado por políticas protecionistas, especialmente sob a administração do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou o acordo como um “grande e importante” passo em direção ao fortalecimento do multilateralismo e do livre comércio. “O comércio aproxima os povos, e o desenvolvimento promove a paz”, destacou ele durante a cerimônia. O evento contou com a presença de diversos ministros e diplomatas, os quais ressaltaram a importância da integração entre nações em tempos de incerteza econômica.

Durante seu discurso, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reforçou a relevância da persistência e espírito de cooperação que marcaram as negociações. Ele enfatizou que o Mercosul se posiciona como defensor do comércio internacional fundado em regras, o que é crucial para elevar o crescimento econômico e a prosperidade das populações. A parceria permitirá a eliminação de 100% das tarifas de importação de produtos industriais e pesqueiros provenientes do Mercosul, além de abrir novas oportunidades para exportações agrícolas diversas, como carnes, milho e sucos de frutas.

Tarifaço e Implicações no Comércio Internacional

Ao final do evento, Alckmin abordou a questão das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, afirmando que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de buscar diálogo e negociação. Ele comemorou a recente decisão norte-americana que retirou a celulose da lista de produtos tarifados, oferecendo um sinal positivo para as relações comerciais.

Para as nações da EFTA, que somam uma população de 15 milhões e um PIB de US$ 1,4 trilhão, a assinatura do acordo representa uma oportunidade de expandir suas relações comerciais com o Mercosul, muitas vezes considerada uma região com grande potencial de mercado. Entre os compromissos do tratado, destaca-se a eliminação de tarifas de importação para setores fundamentais, além de ênfase em cláusulas ambientais, como a exigência de que prestadores de serviços digitais utilizem uma matriz elétrica com pelo menos 67% de energia limpa.

Próximos Passos e Acordos Futuros

O acordo assinado, entretanto, ainda requer a finalização dos trâmites de internacionalização, como a tradução do documento e a aprovação pelo Congresso Nacional no Brasil. Os Ministérios das Relações Exteriores, Agricultura e Pecuária, e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informaram que o Brasil está igualmente empenhado em concluir negociações com os Emirados Árabes Unidos, retomar diálogos com o Canadá e expandir acordos existentes com países da América Latina e da Ásia.

Em paralelo, existe a expectativa de que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aguardado há cerca de 25 anos, seja aprovado ainda este ano. Com um mercado que poderá abranger mais de 700 milhões de pessoas e representar 26% da economia global, a assinatura desse acordo está sendo aguardada com grande expectativa pelas partes envolvidas.

Para os defensores da prática de livre comércio, como muitos países da UE, a parceria é vista como uma forma de compensar as perdas causadas por políticas protecionistas americanas. Contudo, também há opositores, como a França, que se posicionam contra o acordo, argumentando que ele desconsidera as preocupações ambientais na produção agrícola e industrial.

Com o avanço das negociações e novos acordos à vista, o panorama do comércio internacional para o Brasil e os países do Mercosul continua a se expandir em meio a um mundo econômico incerto.

Cerimônia de Assinatura do Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-EFTA. Foto: Júlio César Silva/MDIC

Mercosul assina acordo de livre comércio com quatro países europeus

Fonte: Agencia Brasil.

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