Em 13 de janeiro de 2026, a Lei Federal nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas, completa um ano de implementação.
O ministro da Educação, Camilo Santana, considera que a restrição ao uso de celulares tem trazido benefícios significativos para os alunos. “O brasileiro passa, em média, nove horas e 13 minutos na frente de uma tela. Somos o segundo país do mundo que mais fica exposto a esse tipo de dispositivo, o que causa prejuízos como ansiedade e déficit de atenção”, ressalta. A preocupação com os efeitos do uso excessivo de celulares é respaldada por dados do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA) de 2022, que indicam que 80% dos estudantes brasileiros têm dificuldades de concentração nas aulas de matemática devido à presença do celular.
Presente na sala de aula, o estudante Nicolas Lima, 15 anos, menciona a resistência inicial em relação à mudança, mas reconhece a melhoria em sua vida social. “No primeiro dia de aula, consegui fazer um novo amigo, porque me aproximei das pessoas. Minha concentração melhorou muito e, mesmo sem usar o celular, percebi que nossas interações no intervalo tiveram um impacto muito positivo”, conta.
“Quando os celulares foram proibidos no intervalo, começamos a conversar mais, jogar jogos de tabuleiro e a interagir de maneira mais significativa”, completa Nicolas.
A mãe de Nicolas, Cibele Lima, também relata o processo de adaptação à nova realidade. Ela sentiu a dificuldade inicial de não poder se comunicar com os filhos durante as aulas, mas agora observa melhorias: “Ele percebeu que pode fazer amizades e que a timidez pode ser superada. Essa transformação se tornou muito clara para mim neste ano”, diz.
Professores reportam que, após a proibição dos celulares, observaram um aumento na atenção e participação dos alunos nas atividades. O costume de apenas ‘fotografar o quadro’ deu lugar a práticas mais ativas, como a escrita e a interação. A psicóloga especializada em saúde pública, Karen Scavacini, ressalta que embora o celular possa ser uma ferramenta educativa potente, sua utilização deve ser orientada. “Quando usado de forma transdisciplinar, o celular pode auxiliar na produção de conteúdo e na leitura crítica das informações”, afirma.
O MEC também se mobilizou para apoiar a implementação da norma, disponibilizando guias práticos e materiais de conscientização sobre o uso responsável dos celulares.
MEC fará pesquisa sobre impacto da restrição de celular nas escolas
Fonte: Agencia Brasil.
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