Aceleração das Contribuições Nacionalmente Determinadas: Países Correm contra o Tempo
Com a data limite de 30 de setembro se aproximando, diversos países signatários do Acordo de Paris estão se mobilizando para apresentar suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Desde o início do mês, 16 nações, incluindo Austrália, Angola e Chile, trouxeram propostas atualizadas visando a redução das emissões de gases de efeito estufa. Até o momento, 50 países já submeteram suas ambições, mas essas metas abrangem apenas 24% das emissões globais, deixando grandes emissores, como China, Índia, União Europeia e Rússia, ainda sem compromissos firmados.
Gustavo Souza, diretor de Políticas Públicas da Conservação Internacional (CI-Brasil), destaca a lentidão na adesão das principais economias. Até agora, apenas cinco dos países do G20 — Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Japão — cumpriram a entrega das NDCs dentro do prazo estabelecido. Essa realidade aponta para um desafio significativo na luta global contra as mudanças climáticas.
A pressa para apresentar novas metas ocorre à medida que se aproxima a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), programada para ser realizada em Belém (PA). Na quarta-feira, 24, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário-geral da ONU, António Guterres, participarão de um evento de alto nível sobre ação climática em Nova York, durante a Semana do Clima, com o intuito de incentivar a atualização das NDCs.
Lula enfatizou, em discurso na Assembleia Geral da ONU, que a falta de um quadro completo das Contribuições Nacionalmente Determinadas seria como “andar de olhos vendados rumo ao abismo”. A meta do Brasil para a COP30 é que 120 das 197 nações participantes apresentem suas propostas durante a conferência.
De acordo com Mário Gustavo Mottin, chefe da Divisão de Ação Climática do Ministério das Relações Exteriores, o cenário atual é complicado por uma crise no multilateralismo, que ocorreu em meio a um clima geopolítico diverso. Este ano marca o 30º aniversário da Convenção do Clima, lançada no Brasil, e uma década desde o Acordo de Paris, enquanto profissionais e especialistas observam uma relação de ceticismo em relação à capacidade do multilateralismo de gerar respostas coletivas efetivas em questões climáticas.
Alexandre Prado, líder em mudanças climáticas da WWF-Brasil, analisa que essa desconfiança resulta de uma discrepância entre a percepção dos impactos das mudanças climáticas e a velocidade das ações adotadas. Ele observa que, sem o espaço de negociação e a pressão gerados pelas Conferências do Clima, o avanço em energias renováveis no Brasil e globalmente não teria sido tão expressivo. Atualmente, a expectativa de aquecimento global nas próximas décadas foi revisada de 6°C para 4,5°C devido às ações dos países.
A situação, apesar de crítica, demonstra a necessidade de um comprometimento contínuo para garantir um futuro mais sustentável, enfatizando que os desafios permanecem vastos e complexos na luta por um planeta habitável.
Maiores emissores de gases de efeito estufa ainda não revisaram metas
Fonte: Agencia Brasil.
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