Governo Brasileiro Convoca EUA para Esclarecimentos sobre Ameaças ao Judiciário
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil convocou, na última semana, o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos (EUA), Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre as recentes ameaças direcionadas a “aliados de [Alexandre de] Moraes no Judiciário” feitas pelo governo de Donald Trump. O tom aguçado das declarações do Departamento de Estado norte-americano gerou repercussão negativa em Brasília, onde oficiais brasileiros expressaram sua indignação sobre a interferência nas questões internas do país.
A reunião foi conduzida pelo secretário interino da Europa e América do Norte do Itamaraty, embaixador Flavio Celio Goldman, que enfatizou a visão do governo brasileiro sobre as manifestações do governo dos EUA como uma clara e inaceitável ingerência em assuntos internos. As críticas e postagens da embaixada americana nas redes sociais têm sido dirigidas contra decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Alexandre de Moraes, particularmente relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a seus apoiadores.
No último dia 7 de agosto, a Embaixada dos EUA no Brasil publicou uma tradução de um comentário do secretário de diplomacia pública, Darren Beattie, que afirmava que os “aliados de Moraes” estavam sendo monitorados e deveriam evitar apoiar o ministro. Beattie descreveu Moraes como o “principal arquiteto da censura” e criticou suas ações em relação à liberdade de expressão, citando sanções já aplicadas pela Lei Magnitsky, que proíbe a entrada de indivíduos considerados violadores de direitos humanos nos EUA.
As tensões entre os dois países se intensificaram após a imposição de sanções econômicas contra Alexandre de Moraes, que ocorreram em resposta ao julgamento de uma trama golpista que investigou tentativa de golpe de Estado no Brasil após as eleições de 2022. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente Bolsonaro teria buscado a intervenção de comandantes militares para contestar o resultado das eleições, no qual ele foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.
Essa situação levanta questões sobre a relação futura entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em um contexto onde a política internacional e as decisões judiciais têm um impacto direto nas relações bilaterais. As investigações sobre Bolsonaro e as supostas tentativas de obter sanções contra o Brasil também permanecem em curso, criando um cenário político delicado que demanda vigilância global.
Imagem relacionada: Logo da Agência Brasil.
Itamaraty convoca chefe da Embaixada dos EUA após ameaça ao Judiciário
Fonte: Agencia Brasil.
Internacional

