Indígenas propõem zonas livres de combustíveis fósseis durante o Acampamento Terra Livre em Brasília
Na quinta-feira, 9 de abril, lideranças indígenas presentes no Acampamento Terra Livre, realizado em Brasília, apresentaram uma proposta inovadora aos representantes do Ministério das Relações Exteriores: a criação de zonas livres de exploração de petróleo e gás em terras indígenas. Esse documento, que visa proteger áreas de alta relevância ecológica e cultural, busca colocar os povos indígenas no centro da estratégia de combate à crise climática global. Segundo os indígenas, essas chamadas “Zonas Livres de Combustíveis Fósseis (FFZs)” são essenciais para garantir um futuro sustentável e equitativo, além de defenderem a demarcação e proteção de suas terras como medidas concretas para enfrentar as mudanças climáticas.
O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá, enfatizou que “não há transição energética justa sem a garantia dos nossos territórios”. Ele alertou que o mundo ignora a importância dos direitos indígenas ao optar por um modelo de desenvolvimento que compromete a vida no planeta. Para fortalecer suas propostas, a Apib apresentou um “mapa do caminho global”, que almeja influenciar negociações internacionais e instaurar um novo paradigma de desenvolvimento em meio à crise climática.
O Acampamento Terra Livre, que começou no último domingo, reúne cerca de 8 mil pessoas e se propõe a mobilizar a sociedade civil em prol dos direitos e da preservação dos territórios indígenas. O documento apresentado pelos indígenas também exige o fim imediato da abertura de novos campos de petróleo, gás e carvão, além de um acordo global vinculante para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis.
Dados apresentados na proposta mostram que os territórios indígenas mantêm taxas significativamente menores de desmatamento e são fundamentais para a proteção de ecossistemas, contribuindo para a estabilidade climática global. A iniciativa, inspirada em experiências de outros países da América Latina, reforça a necessidade do reconhecimento dos direitos dos povos indígenas, incluindo o direito à consulta livre, prévia e informada.
Imagem: Marcha de indígenas de todo o país que participam do Acampamento Terra Livre – ATL 2026. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.
Indígenas levam a Itamaraty proposta de áreas livres de petróleo e gás
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente

