29 de janeiro de 2026
EconomiaIBGE estima safra de 328,4 milhões de toneladas de grãos em 2025

IBGE estima safra de 328,4 milhões de toneladas de grãos em 2025

IBGE divulga estimativas da produção agrícola para 2025 com crescimento de 12,2% em relação a 2024

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em abril as estimativas da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas para o ano de 2025. A previsão aponta para um total de 328,4 milhões de toneladas, representando um aumento de 12,2% – o equivalente a 35,7 milhões de toneladas – em comparação à safra de 2024, que somou 292,7 milhões de toneladas. Em relação ao levantamento do mês de março, houve um acréscimo discreto de 0,2%, ou 732,7 mil toneladas.

A área total a ser colhida em 2025 está estimada em 81,0 milhões de hectares, o que corresponde a um crescimento de 2,5% ou 2,0 milhões de hectares em comparação ao ano anterior. Em relação a março, a área permanece quase estável, com um aumento mínimo de 6,5 mil hectares.

Os três principais produtos – arroz, milho e soja – respondem por 92,7% da produção estimada e ocupam 87,7% da área a ser colhida. Houve crescimento na área para o algodão herbáceo em caroço (4,3%), arroz em casca (10,3%), soja (3,0%), milho (3,0%) – com recuo de 3,2% na 1ª safra e expansão de 4,7% na 2ª safra – e sorgo (1,4%). Por outro lado, foram observadas reduções na área para feijão (-5,4%) e trigo (-8,8%).

No aspecto produtivo, as projeções indicam aumentos para algodão herbáceo (2,8%), arroz em casca (12,2%), feijão (4,3%), soja (13,3%), milho (11,8%) – com crescimento de 12,5% na 1ª safra e 11,6% na 2ª safra –, sorgo (3,2%) e trigo (7,0%).

Produção estimada por principais culturas

  • Soja: 164,2 milhões de toneladas.
  • Milho: Total de 128,2 milhões de toneladas, sendo 25,8 milhões na 1ª safra e 102,5 milhões na 2ª safra.
  • Arroz em casca: 11,9 milhões de toneladas.
  • Trigo: 8,1 milhões de toneladas.
  • Algodão herbáceo (em caroço): 9,1 milhões de toneladas.
  • Sorgo: 4,1 milhões de toneladas.

Produção regional

A variação anual positiva da produção está presente em todas as regiões: Centro-Oeste (14,5%), Sul (8,9%), Sudeste (13,6%), Nordeste (8,8%) e Norte (11,0%). Em relação ao crescimento mensal, Norte (4,3%) e Sul (0,4%) registram aumentos, Sudeste e Centro-Oeste mantêm estabilidade, enquanto o Nordeste apresenta queda de 1,5%.

O Estado de Mato Grosso é o maior produtor nacional de grãos, com 30,8% de participação, seguido por Paraná (13,7%), Goiás (11,7%), Rio Grande do Sul (10,1%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Minas Gerais (5,5%), que juntos respondem por 79,4% da produção nacional. A divisão por região é: Centro-Oeste (50,4%), Sul (26,0%), Sudeste (8,9%), Nordeste (8,5%) e Norte (6,2%).

Principais variações em relação a março de 2025

Entre os produtos com aumentos nas estimativas estão:

  • Aveia: +4,2% (47.832 t)
  • Café arábica: +3,5% (74.781 t)
  • Uva: +1,9% (37.814 t)
  • Milho 1ª safra: +1,0% (257.304 t)
  • Milho 2ª safra: +0,7% (692.631 t)
  • Castanha-de-caju: +0,6% (809 t)
  • Cevada: +0,3% (1.422 t)
  • Café canephora: estável (+75 t)

Em contrapartida, houve revisão para baixo nas estimativas de:

  • Feijão 2ª safra: -4,3% (-56.562 t)
  • Feijão 1ª safra: -3,9% (-47.063 t)
  • Cacau: -2,5% (-7.349 t)
  • Trigo: -1,0% (-84.292 t)
  • Sorgo: -0,6% (-22.749 t)
  • Soja: -0,0% (-69.649 t)

Destaques por cultura

Cacau (amêndoa): A previsão é de 292,2 mil toneladas, redução de 2,5% frente a março, devido à menor produtividade nas lavouras, com ajustes nos estados do Pará e Amazonas. Em comparação a 2024, a produção deve crescer 1,5%, acompanhando uma expansão de 1,6% na área plantada.

Café (em grão): A soma das duas espécies, arábica e canephora, está estimada em 3,3 milhões de toneladas (55,0 milhões de sacas de 60 kg), com aumento mensal de 2,3%. Comparado a 2024, há declínio de 3,6%, por conta da redução de 1,3% na área cultivada e de 2,3% no rendimento médio.

  • Café arábica: Produção prevista de 2,2 milhões de toneladas (37,0 milhões de sacas), acréscimo de 3,5% em relação a março, mas queda de 7,5% contra 2024. O rendimento médio sobe 3,5% mensalmente, porém recua 5,5% no comparativo anual.
  • Café canephora: Estimativa de 1,1 milhão de toneladas (18,0 milhões de sacas), crescimento anual de 5,5%, resultante de aumento de 1,5% na área e 3,9% no rendimento médio.

Castanha-de-caju (amêndoa): Produção estimada em 141,1 mil toneladas, alta de 0,6% sobre março. Em relação a 2024, a produção deve recuar 12,4%, impactada principalmente pela queda de 13,1% no rendimento médio, apesar do aumento de 0,7% na área.

Cereais de inverno:

  • Trigo: A produção prevista é de 8,1 milhões de toneladas, redução de 1,0% em relação ao mês anterior e aumento de 7,0% frente a 2024.
  • Aveia: Estimativa de 1,2 milhão de toneladas, com crescimento mensal de 4,2% e anual de 12,8%. O rendimento médio é de 2.197 kg/ha, 1,7% menor que março, enquanto a área a ser colhida subiu 6,0%.
  • Cevada: Produção projetada para 544,6 mil toneladas, acréscimos de 0,3% mensal e 30,8% anual, com a área plantada e rendimento médio crescendo respectivamente 14,1% e 14,7%.

Feijão (em grão): A produção deve chegar a 3,2 milhões de toneladas, redução de 3,1% em relação a março e aumento de 4,3% em comparação a 2024. A produção está dividida em três safras:

  • 1ª safra: 1,2 milhão de toneladas, queda de 3,9% mensal, com aumento de 3,5% no rendimento e redução de 7,2% na área.
  • 2ª safra: 1,3 milhão de toneladas, retração mensal de 4,3% por causa da redução da área (-1,0%) e do rendimento médio (-3,2%).
  • 3ª safra: Estável, com 801,4 mil toneladas, predominantemente produzida em Goiás e Minas Gerais.

Milho (em grão): Estima-se produção de 128,2 milhões de toneladas, com acréscimos de 0,7% em relação a março e 11,8% a 2024. A área a ser colhida cresce 3,0%, e o rendimento médio deve alcançar 5.834 kg/ha, aumento de 8,6%.

  • 1ª safra: 25,8 milhões de toneladas, com alta mensal de 1,0% e anual de 12,5%; área declina 2,1%, enquanto o rendimento médio cresce 16,3%. Destacam-se aumentos no Pará (34,4%) e quedas no Piauí (-12,9%).
  • 2ª safra: Produção projetada de 102,5 milhões de toneladas, com alta de 0,7% mensal e 11,6% anual. A área sobe 0,8% e o rendimento tem ligeira queda de 0,1% no comparativo mensal.

Soja (em grão): A produção nacional deve bater recorde histórico com 164,2 milhões de toneladas em 2025, representando crescimento de 13,3% em relação a 2024. Mato Grosso é o principal produtor, com 48,8 milhões de toneladas e crescimento anual de 24,6%. Goiás apresenta produção recorde estimada em 19,9 milhões de toneladas, com aumento anual de 17,3%. Já o Rio Grande do Sul tem a produtividade impactada negativamente pelo clima, com queda de 21,7% no rendimento médio.

Sorgo (em grão): Produção estimada em 4,1 milhões de toneladas, queda de 0,6% sobre março, porém aumento anual de 3,2%. O Piauí registra redução de 43,3% na produção devido à menor área e produtividade. Os maiores produtores são Goiás (1,6 milhão de toneladas), Minas Gerais (1,1 milhão), São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bahia.

Uva: Produção estimada em 2,1 milhões de toneladas, com crescimento de 1,9% mensal e 16,7% anual. O rendimento médio previsto é de 25.136 kg/ha, aumento de 0,7% em relação a março e 17,5% em comparação a 2024. O Rio Grande do Sul, responsável por 46,6% da produção, mantém a estimativa estável em 958 mil toneladas, com incremento de 40,3% no rendimento médio, beneficiado por condições climáticas favoráveis.


Este levantamento do IBGE traz uma análise detalhada da produção agrícola brasileira, destacando variações mensais, anuais e regionais por produto e área cultivada, com dados fundamentais para o acompanhamento do setor agropecuário no país.

Em abril, IBGE prevê safra de 328,4 milhões de toneladas para 2025

Portal IBGE

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