Conflito no Oriente Médio: um mês de guerra entre EUA, Israel e Irã gera crise ambiental
No último fim de semana, a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã completou um mês, trazendo consequências devastadoras não apenas em termos de vidas perdidas, mas também no que diz respeito ao meio ambiente na região. Segundo um relatório do Observatório de Conflitos e Meio Ambiente (Ceobs), o conflito já resultou em mais de 300 incidentes com danos ambientais identificados em países como Irã, Iraque, Israel, Kuwait, Jordânia e outros, enquanto riscos à saúde pública e aos ecossistemas terrestres e marinhos continuam a aumentar. O estudo alerta que ataques a instalações industriais e comerciais estão liberando poluentes e agravando a crise da escassez de água, especialmente no Irã.
Pesquisadores têm chamado a atenção para a gravidade dos danos: o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) expressou preocupação com os impactos ambientais generalizados, pedindo uma urgente pausa nas hostilidades. A diretora executiva da Pnuma, Inger Andersen, destacou que os ataques aos depósitos de petróleo estão expandindo a poluição tóxica, tornando a necessidade de um cessar-fogo ainda mais crítica. Simultaneamente, Irã e Líbano formalizaram queixas junto à ONU, acusando Israel de ecocídio, um termo que define a destruição massiva e duradoura do meio ambiente.
Panorama dos impactos ambientais
O levantamento do Ceobs identifica vários riscos ambientais associados ao conflito. Entre eles, destacam-se:
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Riscos nucleares: Israel atacou instalações de enriquecimento de urânio no Irã, enquanto áreas próximas a localidades israelenses de armas nucleares também foram alvo de bombardeios. Isso levanta preocupações sobre uma possível emergência nuclear, conforme alertas da Agência Internacional de Energia Atômica e da Organização Mundial da Saúde.
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Infraestrutura de combustíveis fósseis: Incêndios e danos em locais de produção petrolífera na região exacerbaram a crise ambiental, levando ao aumento das emissões de gases do efeito estufa. Vazamentos de metano, que frequentemente acompanham esses eventos, contribuem para o aquecimento global.
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Golfo Pérsico: Ataques a navios no Golfo Pérsico, principalmente cargueiros a granel, aumentam o risco de derramamentos de petróleo e poluição. Portos e infraestrutura costeira também apresentam vulnerabilidades que podem intensificar a crise ambiental.
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Mar Vermelho: As ações dos Houthis contra navios resultaram em poluição grave no Mar Vermelho, enquanto retaliações de Israel e EUA também ameaçam a qualidade das águas costeiras.
Emissões de carbono em ascensão
Dados do Climate and Community Institute indicam que, nos primeiros 14 dias do conflito, a guerra gerou a emissão de 5 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Se a intensidade dos combates persistir, pode-se esperar que as emissões mensais superem 10 milhões de toneladas. Esse aumento das emissões é preocupante dado que os países envolvidos são grandes produtores de combustíveis fósseis.
O impacto climático do conflito é evidenciado quando se observa que, se o setor militar global fosse considerado um país, seria o quinto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, respondendo por cerca de 2,7 gigatoneladas de CO₂ equivalente, ou 5,5% das emissões globais.
Professores especialistas na temática, como Wagner Ribeiro da Universidade de São Paulo (USP), ressaltam a necessidade de um diálogo pacífico e multilateral ao invés de uma escalada militar, enfatizando que a destruição da infraestrutura não apenas atinge o inimigo, mas também contribui para uma crise ambiental de proporções globais.
[Imagem: Agência Brasil/EB]
Guerra no Irã amplia risco ambiental e climático, diz relatório
Fonte: Agencia Brasil.
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