16 de janeiro de 2026
InternacionalGaza: jornalistas enfrentam extrema violência e condições precárias

Gaza: jornalistas enfrentam extrema violência e condições precárias

A Guerra na Faixa de Gaza: Um Massacre de Jornalistas

Desde o início da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, cerca de 1,6 mil jornalistas profissionais registrados na região têm enfrentado uma realidade devastadora. De acordo com dados atualizados pelo Sindicato dos Jornalistas da Palestina, 252 desses profissionais foram mortos em ataques israelenses, tornando este o mais grave massacre de jornalistas em qualquer conflito armado na história mundial. A atualização foi divulgada durante uma reunião online organizada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e pela Embaixada da Palestina no Brasil na última quinta-feira (25).

As estatísticas alarmantes revelam a magnitude do perigo enfrentado por aqueles que buscam relatar a realidade do enclave palestino. Em um dos episódios mais trágicos, um ataque aéreo israelense ao Hospital Nasser, no final de agosto, resultou na morte de 15 pessoas, incluindo quatro jornalistas, um deles da agência Reuters. Outras tragédias seguiram, como a ataque de um drone israelense que ceifou a vida de cinco jornalistas da TV Al Jazeera, evidenciando um padrão de agressão sistemática contra a imprensa.

Naser Abu Baker, presidente do sindicato, expressou sua indignação: “A ocupação destruiu todas as instituições de imprensa presentes na Faixa de Gaza”. Como consequência da ofensiva, mais de 600 imóveis residenciais de jornalistas foram destruídos, e muitos profissionais se encontram morando em tendas junto a suas famílias. “Todos os jornalistas em Gaza foram expulsos de suas casas”, denunciou Tahseen Al-Atsall, vice-presidente do sindicato.

Condições Precárias e Violência Sistemática

Em um contexto de bombardeios incessantes e privação de recursos, Samir Khalifa, um dos jornalistas palestinos, descreveu a destruição de 95% da Cidade de Gaza, onde está localizado seu centro de mídia, a apenas 500 metros das forças israelenses. A situação tem se tornado insustentável e o Sindicato dos Jornalistas da Palestina relata que em três anos, aproximadamente 3,4 mil jornalistas foram impedidos de acessar o território, incluindo 820 jornalistas dos Estados Unidos.

A jornalista Ghaida Mohammad, da TV Palestina, comentou sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres no exercício da profissão, apontando a falta de equipamentos básicos de segurança e necessidades essenciais como produtos infantis e leite em pó. Ela enfatizou que sua realidade complica ainda mais a cobertura dos acontecimentos em Gaza.

Apoio Internacional e Pressão Global

Enquanto o conflito contínua a atrair atenção internacional, a Fenaj tem defendido ações de solidariedade a nível global, sugerindo uma paralisação em todo o mundo em apoio aos jornalistas palestinos. A presidenta da Fenaj, Samira de Castro, declarou: “A situação dos jornalistas na Palestina é uma questão humanitária gravíssima”. O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, também destacou a importância da livre circulação de informações sobre os horrores enfrentados pela população de Gaza, ressaltando que é vital que a voz das vítimas da guerra chegue ao resto do mundo.

A complexidade do conflito, aliado à agressão sistemática contra a imprensa, tem gerado um apelo por soluções que garantam a proteção dos jornalistas e a preservação de suas vidas, sem que isso seja uma barreira para o direito à informação.

Conflito em Curso e Destruição Generalizada

Desde o início da nova onda de violência em outubro de 2023, mais de 60 mil pessoas já perderam a vida devido ao bombardeio incessante. O conflito também tem sido um tema central nas discussões da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que ocorreu recentemente em Nova York. Na ocasião, diversos países aliados de Israel anunciaram reconhecimento oficial da Palestina como estado soberano.

As violações aos direitos humanos e a destruição de infraestruturas essenciais, como hospitais e escolas, têm gerado uma crise humanitária sem precedentes. O bloqueio às fronteiras dificulta a entrada de alimentos e medicamentos, intensificando ainda mais o sofrimento da população civil.

Por fim, as condições de trabalho dos jornalistas na Cisjordânia não são menos alarmantes, com mais de 2 mil agressões registradas contra profissionais da imprensa, e a ocupação militar mantendo barreiras que limitam seu acesso e liberdade de movimento. Neste contexto, a luta pela verdade e pelo relato dos fatos vivenciados pelos palestinos continua, mesmo em meio a um cenário de constantes ameaças e riscos à vida.

Jornalistas em Gaza relatam condições extremas e ameaça constante

Fonte: Agencia Brasil.

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