O vereador Pastor Dinho (PL) gerou polêmica ao usar uma peruca durante sua intervenção na Câmara da Serra, crítica às identidades de gênero e ao projeto que inclui a misoginia como crime de preconceito. O ato provocou reações do Fórum pela Cidadania LGBTI+, que anunciou a intenção de acionar o Ministério Público Estadual (MPES) e o Conselho Estadual LGBTQIAPN+.
“Ridicularizar as identidades de gênero” foi a acusação feita pela entidade, que argumentou que a conduta do vereador fere o decoro parlamentar e reproduz práticas de transfobia. Durante seu discurso, Dinho ironizou as discussões sobre identidade feminina e questionou a criminalização de ações consideradas misóginas, afirmando que isso impediria embates “acalorados” e tornaria críticas a mulheres como misoginia.
Ele afirmou: “Agora não podemos mais ter embate acalorados, não podemos mais discutir com uma mulher… se você interromper uma mulher… você está lascado em cadeia,” expressando sua preocupação de que a nova legislação prejudicaria o debate público. No entanto, o Fórum ressaltou que a manifestação do vereador deve ser vista como “discurso de ódio,” enfatizando que é crime ridicularizar identidades de gênero no Brasil.
A denúncia também ressalta que, desde decisões do Supremo Tribunal Federal, LGBTfobia é enquadrada na Lei nº 7.716/1989. A manifestação do vereador foi também criticada pelo vereador Tiago Peixoto (Psol), que chamou a atenção do presidente da Câmara, Dr. Willian Miranda (União), para a necessidade de intervenção durante o discurso.
“Não podemos aceitar que isso aconteça, ainda mais dentro da Câmara,” afirmou Kassandro Santos, presidente do Fórum. Ele pediu uma postura mais responsável por parte de quem preside o espaço. O caso de Dinho não é isolado; ele já enfrentou outra representação por declarações consideradas discriminatórias e intolerantes durante uma sessão anterior.
A discussão sobre a misoginia e a identidade de gênero continua a gerar polêmica no espaço político, refletindo um debate mais amplo sobre direitos e respeito nas interações públicas.

Fonte: Século Diário

