Grupos de Trabalho na Uerj Visam Avaliar Impacto das Cotas de Ação Afirmativa
A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) promoveu um avanço significativo em suas políticas de inclusão ao criar grupos de trabalho focados na avaliação do impacto das cotas de ação afirmativa. Para Luiz Augusto Campos, sociólogo e um dos organizadores do livro Impacto das Cotas: Duas Décadas de Ação Afirmativa no Ensino Superior Brasileiro, essa iniciativa é essencial para analisar e melhorar a permanência dos egressos nas instituições de ensino. Campos destaca que a Lei de Cotas não deve ser vista como uma solução em si, mas como uma estratégia intermediária para mitigar as desigualdades existentes no mercado de trabalho.
Desde sua implementação em 2003, a Uerj tem se posicionado na vanguarda das políticas de inclusão no Brasil, combinando critérios de autodeclaração racial com requisitos socioeconômicos. No entanto, após 20 anos da adoção dessa política, o sociólogo ressalta a necessidade de uma atualização da legislação, especialmente em relação à graduação. Atualmente, a renda bruta familiar dos candidatos que se inscrevem para as cotas é fixada em R$ 2.277, um valor que muitos consideram insuficiente para atender as reais necessidades dos estudantes.
Além disso, Campos aponta que, de acordo com dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), a representatividade de pessoas pretas e pardas nas pós-graduações é alarmantemente baixa, com apenas 4,1% dos mestres e 3,4% dos doutores sendo negros, o que levanta questões sobre a eficácia das cotas na formação de egressos qualificados.
Os egressos que participaram de um encontro no fim de novembro, durante o mês da Consciência Negra, clamaram por uma revisão do corte socioeconômico para ampliar o acesso de estudantes negros ao ensino superior. Enquanto isso, Campos e outros especialistas propõem que as universidades utilizem sua autonomia para ajustar os critérios de ingresso, de forma a atender a um maior número de candidatos realmente necessitados. A atual Lei 8.121, que regulamenta a ação afirmativa na Uerj, está agendada para revisão apenas em 2028, o que gera preocupações sobre as diretrizes futuras dessa política vital.
Em um cenário em que cerca de 49% dos títulos de mestrado e 57,8% dos doutorados são obtidos por estudantes brancos, a necessidade de ações mais efetivas se torna cada vez mais urgente. Para Campos, entender o impacto das cotas requer análise aprofundada das trajetórias dos egressos e um compromisso contínuo em promover a equidade na educação.
Pesquisador da Uerj defende monitoramento da trajetória de ex-cotistas
Fonte: Agencia Brasil.
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