Brasil deve adotar cultura de prevenção para mitigar riscos de desastres naturais, alertam especialistas
No dia 13 de outubro, comemora-se o Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, uma data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para incentivar a prevenção de desastres naturais e a proteção das comunidades. Em um cenário de crescente frequência e intensidade de eventos extremos no Brasil, especialistas em conservação da natureza e adaptação climática pedem uma mudança de enfoque. Segundo eles, é hora de abandonar a cultura da tragédia, que caracteriza a resposta reativa a desastres, e investir em medidas de prevenção e preparação. Esse olhar proativo não apenas visa a redução de perdas econômicas e sociais, mas também busca preservar a vida e a biodiversidade em um ambiente cada vez mais ameaçado pelas mudanças climáticas.
A adoção de uma abordagem preventiva implica em mapear áreas vulneráveis a desastres, preparar serviços essenciais como hospitais e escolas para funcionarem em condições adversas, e ampliar sistemas de alerta. Isso se torna ainda mais urgente à luz das projeções climáticas, que indicam a influência de fenômenos como o El Niño na segunda metade de 2026. Rafael Loyola, diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), destaca que, atualmente, o Brasil investe mais de três vezes na resposta e reconstrução em relação ao que destina à prevenção, uma equação que precisa ser invertida.
A implementação de ações concretas requer um esforço articulado entre diferentes setores, com foco nas particularidades de cada região. De acordo com André Ferretti, gerente sênior de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, a adaptabilidade às mudanças climáticas não é uma prática universal, mas sim uma necessidade local. O mapeamento de riscos e vulnerabilidades, em parceria com os setores de meio ambiente, saúde, educação, agropecuária e infraestrutura, é essencial para que governos e sociedade civil atuem de maneira eficaz.
A plataforma “Natureza ON”, desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário em parceria com o MapBiomas e a tecnologia Google Cloud, representa uma importante ferramenta nesta luta. Através dela, é possível consultar dados sobre riscos de inundações, deslizamentos e a segurança hídrica em diferentes regiões do Brasil. Além disso, a plataforma sugere Soluções Baseadas na Natureza que podem aumentar a resiliência dos territórios.
Ainda segundo Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de Projetos da Fundação Grupo Boticário, a degradação ambiental acentua a vulnerabilidade das cidades a eventos extremos. A recuperação de áreas verdes, a preservação de recursos hídricos e a criação de parques urbanos são indispensáveis para reduzir riscos associados a chuvas intensas e altas temperaturas. Esses ambientes não apenas mitigam os efeitos adversos dos desastres naturais, mas também melhoram a qualidade de vida das populações urbanas, oferecendo um espaço seguro e criando um ecossistema mais equilibrado.
Investir em infraestrutura que considere os riscos climáticos desde o planejamento é vital. Segundo Juliana, falhas nessa diretriz podem não apenas desperdiçar recursos financeiros, mas também exacerbar as desigualdades sociais, aprofundando a injustiça climática que afeta as comunidades mais vulneráveis do país.
Redução de desastres: especialistas defendem “cultura da prevenção”
Fonte: Agencia Brasil.
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