Aumento do Emprego entre Idosos no Brasil Acompanha Informalidade Crescente
Nos últimos anos, o mercado de trabalho brasileiro tem testemunhado um aumento significativo na inclusão de pessoas com 60 anos ou mais. Nos últimos dez anos, essa faixa etária viu seu percentual de participação no mercado de trabalho crescer 53%, superando o aumento geral da população idosa, que foi de 37%. Atualmente, a população 60+ no Brasil representa 17% do total, conforme estudo recente da empresa de pesquisa e inteligência de dados Nexus. A pesquisa revela que em 2025, o número de trabalhadores nessa faixa etária saltará de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões, um indício de que os mais velhos continuam ativos e cada vez mais inseridos no mercado.
Contudo, essa realidade de crescimento do emprego entre os idosos revela-se ambígua. Embora seja positivo, esse aumento ocorre em um cenário que apresenta alta informalidade. Para mais da metade (53%) dos trabalhadores com 60 anos ou mais, a informalidade é uma realidade, superando a taxa de 38% identificada na população em geral e 41% entre os jovens de 18 a 24 anos. Essa situação coloca em evidência um problema estrutural: a precarização do trabalho nesta faixa etária. Sem garantias de direitos fundamentais, como férias, décimo terceiro salário e contribuição para a previdência social, muitos idosos se veem obrigados a continuar trabalhando, muitas vezes para complementar suas rendas.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, aponta que a última reforma da Previdência, implementada em 2019, pode ter influenciado o aumento de idosos no mercado de trabalho ao elevar a idade mínima e o tempo de contribuição para a aposentadoria. Com a nova regra, as mulheres agora precisam atingir 62 anos e 15 anos de contribuição, e os homens, 65 anos e 20 anos de contribuição. Essa mudança impacta diretamente na decisão de muitos idosos em buscar emprego em uma fase que tradicionalmente é associada à aposentadoria.
Os dados, obtidos a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também revelam um contraste entre a situação das pessoas mais velhas e os jovens. Enquanto a informalidade é uma característica predominante entre os 60+, os jovens podem muitas vezes priorizar a busca por vagas melhores ou o foco nos estudos. A situação dos trabalhadores 60+ é ainda mais preocupante, já que muitos não têm a opção de permanecer desocupados.
Diante deste cenário, o estudo conclui que a sustentabilidade econômica do Brasil depende urgentemente de políticas públicas de incentivo à formalização dos trabalhadores mais velhos e de uma revisão das estruturas corporativas, incluindo ergonomia, benefícios e inclusão geracional. A situação atual não apenas reflete uma mudança demográfica, mas também exige a atenção de formuladores de políticas que buscam garantir um futuro mais justo e seguro para todos os trabalhadores no país.
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Ocupação de pessoas 60+ sobe 53% em 10 anos; ritmo supera o dos jovens
Fonte: Agencia Brasil.
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