Cuba Comemora Resolução da ONU Contra Bloqueio dos EUA, Mesmo com Placar Desfavorável
Na última terça-feira (29), a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução condenando o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba, que se arrasta por mais de 60 anos. O embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, celebrou a decisão, embora tenha reconhecido que o apoio à moção caiu para o menor nível em três décadas. A votação registrou 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, com a maioria das abstenções vindo de países da América Latina que tradicionalmente apoiavam a ilha caribenha.
“Em um mundo onde os EUA lideram novas práticas do fascismo, por meio de chantagens e ameaças a países pequenos, imposição de guerras econômicas e tarifas, Cuba manteve o apoio da imensa maioria dos países da comunidade internacional. É uma grande vitória de nosso povo”, afirmou o embaixador em entrevista à Agência Brasil na embaixada em Brasília. Ele destacou que a queda no número de votos favoráveis se deve a uma campanha desenvolvida pelo governo anterior dos EUA, que procurou convencer aliados a mudar seu posicionamento.
O bloqueio econômico, que foi implementado em retaliação à Revolução Cubana de 1959, gerou um impacto humanitário significativo, com Palomo citando que mais de 1,5 mil crianças morreram por falta de medicamentos e combustíveis para manter incubadoras. “Não são apenas números, são vidas”, lamentou. A mortalidade infantil em Cuba dobrou entre 2025 e 2026, passando de 4,4 para 9,9 por mil nascimentos, o que demonstra a grave crise social provocada pela falta de recursos.
As recentes sanções impostas pelos Estados Unidos, que se intensificaram desde a volta de Donald Trump ao comando da Casa Branca em 2025, afetaram diversos setores cubanos. O embaixador mencionou que mais de sete mil contêineres comprados por Cuba estão parados em portos de todo o mundo devido ao medo de represálias. Isso, juntamente com o endurecimento do bloqueio energético, resultou em apagões de até 10 horas na capital havanense, prejudicando a produção básica de alimentos e a manutenção de serviços públicos.
A resposta de Cuba ao bloqueio foi uma reforma econômica com o objetivo de dinamizar a economia e aumentar a produção, incluindo um investimento acelerado em energia solar com apoio da China. Palomo enfatizou que mudanças são necessárias, já que o país não pode esperar que a política externa dos EUA mude.
A aprovação da resolução na ONU, apesar do contexto desfavorável, reafirma o apoio internacional a Cuba e a necessidade de um debate global em torno do bloqueio, que o embaixador considera não ser apenas um problema cubano, mas um desafio para toda a humanidade. “Hoje é Cuba, mas amanhã pode ser qualquer outro país que os EUA desejarem”, concluiu Palomo.
(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Sob pressão de Trump, Cuba comemora aprovação na ONU contra bloqueio
Fonte: Agencia Brasil.
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