Representantes de 28 comunidades tradicionais brasileiras apresentaram um ofício ao presidente da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), João Paulo Capobianco, exigindo o reconhecimento dos saberes ancestrais no cuidado com habitats e rotas migratórias. O encontro ocorreu nesta quinta-feira (26), diante de uma agenda repleta de discussões sobre biodiversidade.
Os líderes comunitários solicitaram a inclusão de uma cláusula específica no texto da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) e a criação de um novo espaço no secretariado da CMS para garantir a presença e participação dessas comunidades nas decisões globais. Capobianco classificou o pedido como pertinente e anunciou que, sob a liderança do Brasil nos próximos três anos, será elaborada uma proposta formal para atender essa reivindicação.
Ademais, Capobianco revelou que uma declaração presidencial já foi preparada pelo governo brasileiro e discutida com líderes de países vizinhos como Paraguai e Bolívia, salientando a importância dos povos indígenas e comunidades tradicionais na preservação ambiental. Esta declaração já conta com o apoio de diversos países.
Edinalda Nascimento, representante do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, ressaltou a importância dos saberes locais durante uma plenária na COP15. Seu discurso foi um momento marcante, recebendo a atenção de diplomatas e cientistas presentes, que consideraram válida a inclusão dessas comunidades no processo de decisão.
Cláudia de Pinho, diretora da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais do Ministério do Meio Ambiente, explicou o processo de aproximação e capacitação dessas comunidades para participar ativamente das conferências, ideia que já trouxe resultados tangíveis, como o relatório Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce, que combina conhecimento acadêmico e saberes tradicionais.
O encontro e as discussões geradas na COP15 sublinham o progresso na inclusão e reconhecimento dos modos de vida de povos indígenas e comunidades tradicionais, fundamentais para a sustentabilidade global das espécies migratórias.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
COP15: povos tradicionais pedem reconhecimento dos saberes ancestrais
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