O debate sobre a mudança do nome da avenida Dante Michelini voltou à tona na Câmara de Vitória, impulsionado pela repercussão da morte de “Dantinho”, acusado do brutal assassinato da menina Araceli em 1973. Em meio a propostas conflitantes, os vereadores Armandinho Fontoura (PL) e Ana Paula Rocha (PSOL) apresentaram projetos de lei sobre o tema.
Na sessão desta segunda-feira (9), Armandinho protocolou o Projeto de Lei 27/2026, sugerindo a renomeação da avenida para Governador Gerson Camata. Entretanto, ele retirou o requerimento de urgência, optando por convocar uma audiência pública, agendada para 26 de outubro, para discutir a questão. Armandinho ressaltou que a mudança seria necessária devido às ligações do nome atual ao crime hediondo, afirmando: “Quando tem uma pessoa decapitada e o corpo incinerado, é porque era uma pessoa legal?”
Por sua vez, a vereadora Karla Coser (PT) contestou a proposta de Armandinho, afirmando que já existe um viaduto em homenagem a Araceli e que, portanto, não haveria problema na duplicidade de homenagens. Karla afirmou que o que falta para a alteração é “vontade política”, mencionando outras mudanças de nomenclaturas que ocorreram na cidade.
Ana Paula Rocha, em suas iniciativas, propôs a inclusão de novas possibilidades para a renomeação de bens públicos, como o projeto de lei 30/2026, que visa proibir homenagens a pessoas condenadas por crimes de abuso sexual. Ana Paula argumentou que sua proposta avança em “questões mais específicas relacionadas a crimes sexuais”, apesar de haver a Lei 10.164, que já veda tal prática.
Os debates geraram tensões, com alguns vereadores, como Luiz Emanuel (Republicanos), criticando a “demagogia” em torno da renomeação, apontando a existência de um memorial em homenagem a Araceli. Ele e outros defensores da não mudança do nome destacaram que isso poderia causar um impacto contábil significativo aos proprietários de imóveis na avenida.
A luta por justiça no caso Araceli se reflete na proposta de mudar o nome da avenida, que foi inicialmente nomeada em 1967. O caso brutal da menina, que envolveu figuras da elite local, gerou ampla mobilização por reparação e foi notoriamente denunciado em múltiplas instâncias. A atual situação é marcada pela falta de um desfecho claro, já que a morte de Dantinho permanece sob investigação.

Fonte: Século Diário

