COP17 em Yerevan: Brasil defende ações para conter a crise da biodiversidade
A 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), que ocorreu em Yerevan, Armênia, concluiu suas atividades no último sábado (31) com a participação ativa da delegação brasileira, que desempenhou um papel estratégico nas negociações sobre o futuro da biodiversidade global. O evento resultou em um novo consenso, o documento intitulado “Caminho de Yerevan”, que estabelece compromissos essenciais para que os países acelerem suas ações na luta contra a crise ambiental. A conferência se debruçou sobre a primeira revisão do Marco Global de Kunming-Montreal, que considerou os esforços globais até agora insuficientes para atingir as 23 metas estabelecidas para 2030.
Tentativa de correção de rumo foi como a delegação brasileira caracterizou o evento, com avanços significativos nas áreas de financiamento, monitoramento e na participação de grupos como povos indígenas e comunidades locais. Contudo, questões cruciais, como a reformulação da dinâmica de financiamento, a efetividade do Fundo Cali e a transformação de subsídios prejudiciais, permanecem em aberto. Karen Oliveira, da The Nature Conservancy Brasil, destacou que, embora a conferência tenha trazido progressos, os desafios mais transformadores ainda necessitam de atenção urgente.
Entre os avanços financeiros, foram acordados novos compromissos que ampliam a base de países doadores, incentivando nação desenvolvidas, além da China, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, a financiamentos de ações voltadas à proteção da biodiversidade em países menos desenvolvidos. Durante o evento, foi anunciada a mobilização de mais de US$ 1,8 bilhão em compromissos financeiros de vários setores, incluindo governos e instituições multilaterais.
A reformulação dos subsídios essenciais à proteção da biodiversidade não avançou como o esperado, resultando na formação de um grupo de trabalho para converter pelo menos US$ 500 bilhões atualmente destinados a atividades prejudiciais à natureza em subsídios positivos.
Adicionalmente, o Fundo de Cali, instituído em 2024, enfrenta dificuldades em sua operacionalização, e grandes corporações têm tentado adiar a adesão obrigatória a esse mecanismo. A especialista do Greenpeace Internacional, An Lambrechts, criticou essa postura, argumentando que as grandes empresas devem contribuir proporcionalmente à exploração da natureza que utilizam.
A proposta brasileira, que visa fortalecer a agenda de uso sustentável da biodiversidade e garantir uma repartição justa dos benefícios oriundos dos recursos genéticos, foi aceita, determinando que as nações devem consultar povos indígenas e comunidades locais nas escolhas sobre o uso sustentável. Além disso, a delegação brasileira buscou a promoção da conectividade ecológica para a criação de corredores de conservação, embora este tema tenha sido somente referenciado no documento final, sem um programa de trabalho robusto.
A COP17 sinaliza um importante passo nas negociações internacionais sobre a biodiversidade, mesmo que desafios significativos permaneçam. As interações futuras entre países e a sociedade civil serão cruciais para a implementação efetiva dos compromissos assumidos em Yerevan.
Brasil contribui para avanços das ações de proteção da biodiversidade
Fonte: Agencia Brasil.
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