EducaçãoAraras-canindés são soltas pela primeira vez no Parque da Tijuca

Araras-canindés são soltas pela primeira vez no Parque da Tijuca

Araras-canindés retornam ao céu do Rio de Janeiro após reintrodução histórica

A vibrante plumagem das araras-canindés voltou a colorir os céus do Rio de Janeiro, marcando um momento significativo para a conservação da biodiversidade. A espécie, antes considerada extinta na capital fluminense, teve sua primeira soltura em janeiro deste ano, realizada pela organização da sociedade civil Refauna, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A cerimônia ocorreu no Parque Nacional da Tijuca, um dos maiores remanescentes da Mata Atlântica, onde três fêmeas foram libertadas, recebendo os nomes de Fernanda, Suely e Fátima, como forma de homenagear figuras do cinema brasileiro.

As aves são originárias do Refúgio das Aves, um centro de reabilitação em Aparecida, interior de São Paulo, e foram submetidas a um longo processo de aclimatação antes de serem soltas. De acordo com Lara Renzeti, bióloga do Refauna e coordenadora do projeto, “não existe mais população de araras-canindés [no Rio]”. O intuito é restabelecer a espécie na região, que já teve uma rica história de ocupação por estas aves.

Além das três fêmeas, um macho, nomeado Selton, não pôde ser solto devido a problemas de saúde. Selton ainda está sob cuidados intensivos para se recuperar de uma infecção pulmonar não contagiosa que afeta suas penas. A previsão é que um novo grupo de quatro a seis araras-canindés chegue ao parque em março, proporcionando novas oportunidades para a reintrodução.

Aclimatação e Treinamento

As araras-canindés foram abrigadas em um recinto do Parque Nacional da Tijuca desde junho de 2025, onde passaram por um processo rigoroso de aclimatação. Essa fase envolveu treinamento de voo e adaptação alimentar, permitindo que as aves se acostumassem aos sons e aromas da floresta, essenciais para sua função na natureza.

O processo de aclimatação inclui não apenas o fortalecimento da musculatura das aves, mas também a adaptação a uma nova dieta, composta de frutas nativas em vez de ração comercial. A alimentação é oferecida em plataformas suspensas, promovendo o voo e evitando a associação direta com os tratadores.

Foi relatado que as araras conseguiram realizar voos significativos durante o treinamento, o que aumenta suas chances de sobrevivência após a soltura. O monitoramento contínuo permitirá intervenções caso as aves se mostrem em risco, uma vez que elas tendem a se aproximar de pessoas em busca de alimento.

Monitoramento Participativo

Após a soltura, as araras-canindés continuarão a ser monitoradas pela equipe do Refauna, que busca garantir que os animais aprendam a se alimentar de forma autônoma. A população local também é incentivada a participar desse monitoramento, por meio iniciativa de Ciência Cidadã, que permite que residentes enviem informações e avistamentos das aves.

A presença das araras-canindés no Parque Nacional da Tijuca reflete a importância do trabalho contínuo de conservação e educação ambiental no Brasil. A bióloga Viviane Lasmar, do ICMBio, destaca que este esforço não apenas contribui para a biodiversidade, mas também incentiva a consciência ambiental entre os visitantes e moradores da região.

Restauração Ecológica e Futuro

O projeto Refauna não se limita às araras-canindés, tendo reintroduzido diversas espécies em áreas do Parque Nacional da Tijuca e em outras regiões do estado do Rio de Janeiro. O foco em restaurar a fauna nativa combate a defaunação, um problema crítico para os ecossistemas brasileiros, em especial na Mata Atlântica, que abriga uma significativa fração da fauna ameaçada no Brasil.

A iniciativa de reintrodução pretende soltar 50 araras-canindés ao longo dos próximos cinco anos, com o objetivo de restabelecer uma população viável na região. Embora a extinção global da espécie não seja uma preocupação imediata, a ausência destas aves no estado do Rio de Janeiro ressalta a necessidade urgente de ações de preservação.

As araras-canindés são um símbolo da riqueza biológica do Brasil e desta forma, a reintrodução representa não só um passo para preservar a flora e fauna local, mas também um convite à população para participar e apoiar iniciativas de conservação.

Imagens:

  • Foto das araras-canindés: Flavia Zagury/Refauna
  • Cristo Redentor visto do Parque Nacional da Tijuca: Fernando Frazão/Agência Brasil
  • Arara-canindé no Cerrado: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Parque Nacional da Tijuca recebe primeira soltura de araras-canindés

Fonte: Agencia Brasil.

Meio Ambiente

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