Meio AmbienteAnimais silvestres em risco: captura e tráfico ameaçam espécies

Animais silvestres em risco: captura e tráfico ameaçam espécies

A Rara Ararajuba e o Desafio da Conservação no Brasil

Dóceis e encantadoras, as ararajubas (Guaruba guarouba) são aves que se destacam pela sua plumagem amarela vibrante, complementada por verdes vibrantes nas pontas das asas. No entanto, a beleza natural dessas aves se tornou uma triste armadilha: seu charme as tornaram alvos frequentes do tráfico de animais silvestres. Em Belém, no Parque do Utinga, um aviário abriga uma fêmea e um macho de ararajuba que, apesar de receberem cuidados, enfrentam a possibilidade de nunca serem reintegrados ao meio selvagem. Segundo Marcelo Rodrigues, biólogo do projeto Ararajuba, muitos desses indivíduos, após serem retirados de seus habitats, desenvolvem comportamentos inadequados para a vida livre e podem ter dificuldades em voar adequadamente.

O tráfico de animais silvestres é um problema global alarmante. Entre 2015 e 2021, cerca de 13 milhões de espécimes de fauna e flora foram afetados nesse comércio ilegal, conforme o Relatório Global sobre Crimes contra Espécies Silvestres. As ararajubas, por exemplo, são nativas apenas de uma restrita área que abrange partes do estado do Pará e pequenas seções dos estados do Maranhão, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, sendo atualmente classificadas como espécies em perigo de extinção.

A situação se agrava com a crescente influência das redes sociais, que incentivam a posse irresponsável de animais silvestres como bichos de estimação. A coordenadora-geral do Ibama, Graciele Gracicleide Braga, destaca que a geração conectada às plataformas digitais, em busca de originalidade, se torna um público-alvo para esse tráfico. Nesse contexto, a reabilitação de ararajubas e outras espécies é vital, e iniciativas como o Projeto Ararajuba buscam restabelecer suas populações em áreas onde foram extintas.

Além disso, em 2023, já foram soltos mais de 30 mil animais em centros de triagem do Ibama após reabilitação. Para combater a exploração de animais silvestres, campanhas como “Se não é livre, eu não curto” buscam conscientizar a população sobre os danos dessa prática, enfatizando a importância do bem-estar animal e da preservação dos habitats naturais. A exposição de animais silvestres em lares contribui para a demanda ilegal, expondo a biodiversidade brasileira a novos riscos e desafios.

Arara Guaruba Guarouba do Projeto Ararajuba. Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil

Marcelo Rodrigues, biólogo de campo do projeto Ararajuba. Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil

Captura e domesticação colocam animais silvestres em risco

Fonte: Agencia Brasil.

Meio Ambiente

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