Economistas fazem manifesto contra pressão do mercado financeiro por cortes de gastos no governo Lula
Em um momento delicado para a economia brasileira, um grupo de 50 economistas e especialistas divulgou, nesta sexta-feira (30), um manifesto em que critica a pressão do mercado financeiro para a implementação de um programa de corte de gastos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento, que destaca a Avenida Faria Lima, conhecida por abrigar os principais bancos de investimento e corretoras do país, acusa o mercado de tentar impor um “terceiro turno” eleitoral, defendendo um programa de austeridade inspirado nas propostas do ex-candidato Flávio Bolsonaro, que previa cortes de até R$ 190 bilhões nas despesas públicas.
A mensagem central do manifesto é clara: os economistas pedem a adoção de um novo regime fiscal que seja menos rigoroso do que o atual, além da necessidade de mudar a meta de inflação e focar na tributação de pessoas com altas rendas em vez de cortar investimentos em áreas sociais. Em trecho do texto, menciona-se: “Em 25 de outubro, a maioria do eleitorado reelegeu Lula e recusou o programa de Flávio Bolsonaro, que prometia cortar R$ 190 bilhões do gasto público. Um governo eleito por um levante popular contra a ameaça bolsonarista não pode escolher a via defendida pelos mais ricos”.
Os especialistas apontam que o aumento da dívida pública, que alcançou 82,9% do PIB em agosto, é resultado principalmente do alto custo com juros, que atualmente consomem mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento federal em razão das taxas elevadas praticadas pelo Banco Central, que figuram entre as mais altas do mundo. Eles sugerem que o principal caminho para a solução do problema não é através de cortes em áreas sociais, mas sim pela implementação de uma nova tributação sobre os muito ricos, que poderia gerar receitas significativas e evitar a penalização de setores essenciais da população.
O manifesto defende também que a tributação mínima de 10% sobre rendimentos acima de R$ 600 mil por ano seja antecipada para o próximo ano, além de sugerir uma revisão da meta de inflação. Segundo o documento, a atual meta de 3% ao ano, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, deve ser revisada, e o manifesto propõe a retomada do centro de 4,5%, vigente entre 2005 e 2018, para garantir um equilíbrio que favoreça o emprego pleno.
Os economistas ainda ressaltam a importância de aprovar, até o fim do ano, uma nova regra fiscal que substitua o atual arcabouço fiscal. A proposta visa liberar os investimentos públicos e evitar a limitação do crescimento nas áreas fundamentais, como saúde e educação.
O manifesto, que reflete uma visão crítica das propostas de ajuste fiscal em andamento, também critica membros do governo que defendem austeridade, sugerindo que isso poderia ameaçar a popularidade do governo e abrir espaço para novos desafios políticos. Entre os assinantes do documento, destacam-se professores de instituições renomadas, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de Brasília (UnB), evidenciando a preocupação coletiva de especialistas em economia com os rumos da política fiscal do país.
Créditos da imagem: Agência Brasil.
Economistas propõem taxar ricos em vez de cortar gastos sociais
Fonte: Agencia Brasil.
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