No início da campanha eleitoral no Brasil, o tradicional abraço político emerge como uma ferramenta poderosa de conexão entre candidatos e eleitores. Embora essa prática reforce a proximidade, candidatos e cidadãos enfrentam riscos à saúde, especialmente com o aumento da aglomeração e do contato físico durante o período de campanhas.
A abertura oficial das campanhas começa neste domingo (16), permitindo que os candidatos solicitem votos e promovam eventos como comícios e caminhadas. O que se segue é uma temporada repleta de beijos e abraços, uma prática que se consolidou historicamente como símbolo de afeto e pertencimento nas relações entre políticos e o povo. A evolução do gesto remete ao século XIX, quando as elites mantinham distância das massas; com o tempo, figuras como Getúlio Vargas e Evita Perón transformaram o abraço em um ato de conexão emocional.
No entanto, a estouro da pandemia de COVID-19 trouxe à tona novas preocupações. A epidemiologista Ethel Maciel alerta que o contato físico em um clima de séria circulação de vírus respiratórios não apenas expõem candidatos, mas também a população, a riscos significativos, principalmente em relação a doenças transmissíveis. O uso de álcool em gel e o distanciamento social tornaram-se essenciais, mas ainda assim o abraço político prevalece, em busca de gerar empatia.
O fenômeno do abraço em campanhas eleitorais também é estratégico nas redes sociais, onde as imagens do contato físico são frequentemente utilizadas para criar uma imagem de acessibilidade e proximidade. Um estudo indica que momentos de celebração e afeto em fotos impulsionam o engajamento digital, levando eleitores a se sentirem próximos dos candidatos, mesmo à distância.
Enquanto abraços são vistos como um ato amoroso em diversas culturas, a possibilidade de dor e desconforto surge quando se considera que em várias partes do mundo, demonstrar afeto fisicamente pode ser interpretado como uma invasão de privacidade. Por exemplo, no Japão e em países do Oriente Médio, o contato físico é rigorosamente regulamentado e pode levar a penalizações.
Ainda assim, a corrida pela preferência eleitoral no Brasil continua, com os candidatos tentando se aproximar do eleitor por meio do toque caloroso do abraço, mesmo que isso possa carregar consigo o risco de infecções e incômodos éticos. Se o abraço pode ser um atalho emocional, ele também pode ser um vetor de contágio.

Foto: Autor desconhecido.
Fonte: Século Diário

