Marrocos é responsabilizado por crise migratória em Ceuta e Melilla, afirmam direitos humanos
A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) apontou o dedo para o Estado do Marrocos como responsável pela migração em massa de mais de 50 mil pessoas em direção aos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla, localizados no continente africano. De acordo com dados do governo de Ceuta, quase 100 pessoas perderam a vida durante essa perigosa travessia. A AMDH descreve a situação como uma “expressão gritante de uma profunda crise estrutural”, resultante de décadas de marginalização social e econômica. A organização critica a desigualdade social que prevalece no país, onde um pequeno grupo se apropria dos recursos, perpetuando um sistema de “economia rentista” marcada pela corrupção e autoritarismo.
Em um documento aprovado pelo Bureau Central da AMDH, a associação expressa a frustração da juventude marroquina, que tem visto oportunidades escassas e crescentes dificuldades em acessar serviços básicos, como saúde pública. O professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC, Mohammed Nadir, observa que, apesar de Marrocos ter avançado em termos de infraestrutura e modernização, essas melhorias não têm beneficiado a maioria dos jovens do país. “O aumento do custo de vida e a falta de oportunidades fazem com que muitos sonhem em emigrar em busca de uma vida melhor”, afirma Nadir.
No contexto da crise migratória, a AMDH condenou a exploração da situação como um instrumento de pressão ou negociação política entre Marrocos e a Europa. “As pessoas não devem ser usadas como peões em jogos políticos que comprometem seus direitos fundamentais”, enfatiza a entidade. Além disso, critica o “silêncio suspeito” das instituições estatais marroquinas sobre a crise, que contribui para um clima de mobilização crescente nas cidades e regiões do país.
O clima de instabilidade social foi exacerbado por uma retórica crescente contra imigrantes, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, frequentemente alimentada por grupos da extrema-direita que os apresentam como uma ameaça.
À medida que a crise se intensifica, Mohammed VI, rei do Marrocos, que recentemente completou 27 anos no trono, elogiou as conquistas de seu governo, destacando um crescimento do PIB de 4,9% previsto para 2025 e o aumento da participação dos setores automotivo e aeroespacial nas exportações. Contudo, o Índice de Desenvolvimento Humano do Marrocos, de 0,71, mostra que o país ainda ocupa apenas a 120ª posição entre 193 países, refletindo a necessidade de melhorias significativas no bem-estar da população, especialmente em relação à juventude, que enfrenta taxas de desemprego alarmantes.
A crise migratória em Ceuta e Melilla permanece como um tema urgente, exigindo atenção não apenas do governo marroquino, mas também da comunidade internacional para encontrar soluções que respeitem os direitos humanos e dignidade dos migrantes.
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Fonte: Google Maps
ONG culpa Marrocos por “desespero” de imigrantes rumo a Europa
Fonte: Agencia Brasil.
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