Aquecimento do Oceano Pacífico promete influenciar o inverno brasileiro: El Niño promete amenizar o frio
O inverno no Hemisfério Sul tem início exatamente às 5h25 do próximo domingo, 21 de junho, mas este ano os brasileiros podem esperar uma estação atípica. De acordo com um estudo divulgado pela consultoria meteorológica Nottus, o fenômeno climático El Niño deverá provocar temperaturas menos intensas, resultando em um inverno menos severo. A produção da Nottus destaca que a elevação anormal nas temperaturas do Oceano Pacífico equatorial, confirmada pela Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa) na última semana, poderá impactar as condições climáticas no Brasil nos próximos três meses.
O El Niño é caracterizado por um aumento na temperatura da água do mar e, quando excede 0,5°C acima da média, tem potencial para alterar padrões climáticos em várias regiões. Para o Brasil, a expectativa é de que este fenômeno traga chuvas acima do normal na Região Sul, enquanto as regiões Norte e Nordeste devem enfrentar um cenário de precipitações mais escassas, predispondo o país a períodos de seca. O sócio-diretor da Nottus, Alexandre Nascimento, já advertiu que, embora o inverno comece cooler, o El Niño será responsável por minimizar as baixíssimas temperaturas, especialmente a partir de agosto.
Chuva e secas no Brasil
O estudo prevê que as chuvas em intensidade acima da média se concentrem especialmente entre julho e setembro. Julho deverá apresentar um aumento das precipitações no Sudeste e Centro-Oeste, especialmente nas áreas do interior do Sul, onde o fenômeno climático poderá trazer um panorama distinto do que se viu em anos anteriores. O mês de agosto, por sua vez, deverá registrar chuvas significativas no extremo norte e na faixa leste do Nordeste, prolongando os períodos secos em Minas Gerais, Goiás e interior do Nordeste.
“Em agosto, as ondas de calor poderão começar a se manifestar pelo interior do país”, indica Nascimento, reconhecendo que mesmo em um inverno menos frio, eventos de temperaturas extremas ainda podem ocorrer, embora de forma breve e esporádica.
A preocupação com o “Super El Niño”
Os meteorologistas alertam que o fenômeno El Niño, com base nas informações da Noaa, pode intensificar-se entre setembro e fevereiro de 2027, aumentando a temperatura das águas do oceano em até 2,5°C. Essa condição, denominada “Super El Niño”, acendeu um sinal de alerta entre as autoridades governamentais, que já iniciaram a formação de uma Sala de Situação Interministerial. Este grupo visa articular estratégias de resposta e gerenciamento para possíveis desastres provocados pelas condições climáticas adversas.
O impacto do El Niño se estenderá também ao sistema elétrico brasileiro, que depende significativamente da reserva hídrica para a geração de energia, essencialmente proveniente de hidrelétricas. Enquanto a previsão para 2026 parece ser favorável, com a chegada das chuvas ao Sul e partes do Sudeste, há preocupações para 2027, quando se espera uma pressão elevada por consumo de energia, em virtude de ondas de calor, e chuvas insuficientes no Norte e Nordeste.
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El Niño no oceano – Ilustração Nottus/Divulgação
El Niño fará Brasil ter inverno com menos frio, prevê meteorologia
Fonte: Agencia Brasil.
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