Dia Mundial da Bicicleta: Sustentabilidade e Desafios na Malha Cicloviária do Rio de Janeiro
Nesta quarta-feira (3), é celebrado o Dia Mundial da Bicicleta, uma data que não apenas destaca a relevância desse meio de transporte sustentável, mas também levanta importantes questões sobre a infraestrutura cicloviária no Rio de Janeiro. A professora Andrea Santos, do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, sublinha a necessidade de investimentos significativos para a expansão e adequação da infraestrutura das ciclovias na capital fluminense. Segundo Santos, a segurança no uso da bicicleta é uma questão central, pois o aumento das ciclovias em áreas com vulnerabilidades na cidade é ainda insuficiente.
Andrea Santos destaca que a falta de investimentos nas periferias acentua as desigualdades sociais e urbanas. “A priorização das ciclovias para áreas nobres, frequentemente voltadas para o turismo e para as classes A e B, ignora a necessidade premente de implementação de políticas cicloviárias eficazes nas regiões que realmente necessitam”, afirma. Essa crítica reflete a urgência de repensar o plano de mobilidade urbana do Rio, que, segundo a especialista, ainda apresenta deficiências em sua execução e planejamento.
As primeiras iniciativas para a criação de ciclovias na cidade datam de 1991, inseridas no projeto de reurbanização da orla, mas a malha cicloviária se expandiu apenas lentamente. Durante a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992, o Rio adotou medidas para incentivar a mobilidade sustentável, mas muitos desafios ainda permanecem, principalmente em termos de conscientização e educação para os usuários.
Um importante evento paralelo ao Dia Mundial da Bicicleta foi o lançamento do livro Zen Ciclismo, a Bicicleta como Caminho, do escritor argentino Juan Carlos Kreimer, que, aos 81 anos, defende o ciclismo urbano como um “cavalo de batalha universal da mobilidade sustentável”. Kreimer, que está no Rio para promover a obra, afirma que a bicicleta é mais do que um meio de transporte; é uma extensão do corpo que permite maior conexão com o ambiente e com a sociedade.
O Dia Mundial da Bicicleta foi instituído pela Assembleia Geral da ONU em 2018 para aumentar a conscientização sobre a importância desse meio de transporte, que contribui para a saúde pública e para as metas de desenvolvimento sustentável. A professora Andrea Santos reforça o reconhecimento internacional dos benefícios sociais, econômicos e ambientais da bicicleta, enfatizando o seu papel vital na promoção do bem-estar e na melhoria da qualidade de vida nas cidades.
Foto: Carol Ornelles/Ascom Coppe
Foto: George Patiño/Divulgação
Dia da Bicicleta destaca desafios de infraestrutura e equidade no Rio
Fonte: Agencia Brasil.
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