Banco Central Mantém Selic Moderada diante de Incertezas Geopolíticas e Inflação Elevada
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), realizada na semana passada, foi decidido manter a cautela na redução da taxa Selic, que foi cortada em 0,25 ponto percentual, estabelecendo-a em 14,5% ao ano. A decisão, divulgada na ata publicada nesta terça-feira (5), reflete as incertezas acerca dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e a expectativa de uma inflação mais elevada por um período prolongado. O BC analisou os desdobramentos da tensão entre Estados Unidos e Irã, que impacta a navegação no Estreito de Ormuz, rota chave para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial e substâncias essenciais para a produção de fertilizantes.
Durante a reunião, o Copom não ofereceu previsões concretas sobre o futuro da taxa de juros, mas enfatizou a necessidade de monitorar os efeitos de um possível prolongamento dos conflitos na inflação. O comitê ressaltou a “serenidade e cautela” na condução da política monetária, reconhecendo que as incertezas em relação à política econômica dos Estados Unidos também colaboram para um cenário econômico desafiador. A ata afirma que restrições na oferta de petróleo e seus derivados podem ter efeitos de segunda ordem nas cadeias produtivas e de distribuição, colocando pressão sobre os preços.
As expectativas de inflação para os próximos anos apresentam um cenário menos otimista. Antes do agravamento da situação no Oriente Médio, era esperada uma queda acentuada na Selic. Porém, o Copom agora alerta sobre a desancoragem das expectativas inflacionárias, especialmente para 2028, prevista para 3,64%. No último Boletim Focus, a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2023 é de 4,89%, o que reforça a necessidade da manutenção de uma postura restritiva por parte da autoridade monetária.
A taxa básica de juros é crucial, uma vez que serve de referência para outras taxas de mercado e é o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle. A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância que vai de 1,5% a 4,5%. Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15%, a maior taxa em quase duas décadas, até iniciar um ciclo de redução em março, que agora enfrenta novos desafios devido ao aumento dos preços de combustíveis e alimentos gerados pela instabilidade no Oriente Médio.
No entanto, o Copom considera que os eventos recentes não inviabilizam a continuidade do ciclo de redução da Selic, o que indica a busca por um equilíbrio entre o crescimento econômico e o controle inflacionário à luz de novas informações que possam surgir sobre a situação geopolítica global e suas repercussões.

As informações presentes nesta matéria são de responsabilidade da Agência Brasil.
Copom adota cautela por tensões globais e expectativa da inflação
Fonte: Agencia Brasil.
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