O senador Marcos do Val, figura polêmica da extrema direita, busca a reeleição sob a bandeira do partido Avante após uma série de conturbadas tentativas de filiação. Em meio a um panorama político marcado por confrontos, Do Val, conhecido por suas declarações incendiárias, agora caminha isoladamente em sua candidatura, enfrentando críticas tanto da base quanto da oposição.
Na última quarta-feira, o Avante oficializou a filiação de Marcos do Val, que também assumirá a presidência da sigla no Espírito Santo. Antes disso, o senador havia cogitado se filiar ao Mobiliza, mas recuou após pressões internas. Em uma live no YouTube, criticou o que chamou de “sistema” que tenta barrar sua entrada em outros partidos, fazendo menção a um deputado estadual identificado apenas pelas iniciais “M” e “S”, presumivelmente o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos.
Do Val declarou que foi sua própria hesitação em anunciar a presidência do diretório estadual que o levou a desistir do Mobiliza. Em tom desafiador, afirmou que “o sistema não conseguiu, mais uma vez, me inviabilizar”, ressaltando que não possui irregularidades que o comprometam.
Com quase oito anos de mandato repleto de controvérsias, o senador ganhou popularidade por seus conhecimentos em segurança e defesa pessoal, mas também é lembrado pelas polêmicas que o cercam. Ele foi eleito em 2018, no contexto da Operação Lava Jato, e rapidamente se aliou ao governo de Jair Bolsonaro (PL) no Senado.
As controversas foram intensificadas em 2021, quando, durante a CPMI da Covid-19, protagonizou um desentendimento físico com o deputado Luis Miranda. Em 2022, foi denunciado por corrupção ativa, acusado de receber R$ 50 milhões em emendas para votar em Rodrigo Pacheco, o que o próprio senador admitiu como uma forma de “gratidão”.
O clímax de sua trajetória controversa ocorreu em 2023, quando acusou Jair Bolsonaro de tentar coagi-lo em um suposto plano de golpe, embora tenha mudado sua versão diversas vezes. Desde então, sua imagem se deteriorou até mesmo entre seus apoiadores, levando-o a ser investigado pelo STF e culminando com o bloqueio de suas redes sociais.
Recentemente, o senador foi alvo de críticas pela falta de clareza em relação a uma emenda parlamentar destinada à segurança em Vitória. Com tantas controvérsias, ele se tornou um “desquerido” em diversos círculos políticos, enfrentando agora a realidade de uma campanha solitária e desafiadora.

Fonte: Século Diário

