Violência Afeta Transbordo Escolar de Quase 190 Mil Alunos no Rio de Janeiro
Entre janeiro de 2023 e julho de 2025, quase 190 mil estudantes da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro enfrentaram interrupções no transporte público decorrentes da violência armada. Os dados alarmantes são parte do estudo “Percursos Interrompidos: Efeitos da Violência Armada na Mobilidade de Crianças e Adolescentes no Rio de Janeiro”, divulgado recentemente pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Instituto Fogo Cruzado e o Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF). Em um período de análise que abrangeu 2.228 interrupções no transporte público, registrou-se que 49% desses incidentes ocorreram durante dias letivos, entre 6h30 e 18h30, momento em que os alunos se deslocam entre suas casas e as escolas.
As interrupções no transporte foram atribuídas a diversos fatores, incluindo barricadas (32,4% dos casos), operações policiais (22,7%) e manifestações (12,9%). A média de duração das interrupções foi de cerca de sete horas, sendo que uma parte significativa desses eventos se estendeu por mais de 11 horas, comprometendo a presença escolar dos alunos. Flavia Antunes, chefe do escritório do Unicef no Rio de Janeiro, enfatizou que a insegurança no deslocamento tem um impacto direto na trajetória educacional dos estudantes. “Impacta muito a trajetória de uma vida quando ocorre o impedimento do acesso a um direito fundamental, como a educação”, afirmou.
A desigualdade territorial foi um dos aspectos mais preocupantes do estudo, que revelou que cerca de 95% das 4.008 unidades escolares ativas na rede municipal já haviam experimentado alguma interrupção no transporte público. Bairros como Penha, na zona norte, destacaram-se como epicentros das dificuldades de mobilidade, com 633 eventos registrados no período, equivalente a 176 dias sem transporte. Região de Bangu e Jacarepaguá seguiram na lista, acumulando 175 e 161 interrupções, respectivamente.
A pesquisa também classificou as escolas em diferentes níveis de risco, revelando que cerca de 323.359 crianças e adolescentes estão vinculados a instituições com risco moderado a muito alto. A coordenadora do Geni/UFF, Carolina Grillo, ressaltou a necessidade de uma mudança na política de segurança pública, que atualmente se concentra em operações policiais. Ela argumentou que uma abordagem mais integrada seria essencial para garantir a segurança das crianças ao longo de seus trajetos, impactando positivamente na mobilidade e no acesso à educação.
As consequências da violência armada vão além do simples impedimento do deslocamento seguro. Segundo Maria Isabel Couto, diretora de Dados e Transparência do Instituto Fogo Cruzado, a insegurança gera um ambiente de temor que serve como barreira emocional para os estudantes. Apesar das desigualdades evidentes, o estudo mostra que a grande maioria das escolas municipais foi de fato afetada em algum momento, alertando governantes para a necessidade de agir em prol da segurança e do acesso à educação no Rio de Janeiro.
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Violência interrompe transportes e afeta acesso à educação no Rio
Fonte: Agencia Brasil.
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