Novo Estudo Alerta para os Perigos da Continuidade das Atividades de Mineração de Carvão no Rio Grande do Sul
Um relatório recentemente publicado revelou que as atividades no complexo carbonífero de Candiota, no Rio Grande do Sul, poderão resultar em até 1.300 mortes e prejuízos de R$ 11,7 bilhões em problemas de saúde até 2040. Os dados vieram à tona em um estudo conduzido pelo Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA) e pelo Instituto Internacional Arayara, sugerindo possíveis impactos transfronteiriços, incluindo regiões da Argentina, Paraguai e Uruguai.
A análise detalha que, entre 2017 e 2025, já ocorreram aproximadamente 430 mortes, com previsão de outras 870 até 2040, todas ligadas à poluição atmosférica gerada pela queima de carvão mineral e pelas atividades de extração e manuseio. Vera Tattari, analista do CREA e principal autora do estudo, destacou a discrepância entre a contribuição do carvão para a matriz energética brasileira e seus severos impactos ambientais e de saúde.
“Embora responda por uma pequena porcentagem da energia produzida, os efeitos negativos são desproporcionais e amplamente distribuídos, responsabilizando as operações por uma carga de saúde inaceitável sobre a população”, explicou Tattari. Dados indicam que a micropartícula PM2.5, liberada na queima do carvão, está associada a várias doenças graves como câncer de pulmão, doenças cardíacas e diabetes.
Além disso, o estudo aponta para 460 partos prematuros e 270 nascimentos de bebês com baixo peso, correlacionados com a exposição a esses poluentes. As operações também são responsáveis por 1.730 visitas emergenciais por asma e novos 190 casos da doença entre crianças. Economicamente, estima-se a perda de 510 milhões de dias de trabalho até 2040, afetando a produtividade de diversos setores.
A pesquisa enfatiza ainda a necessidade de uma transição justa e eficiente para fontes de energia mais limpas e sustentáveis em substituição ao carvão, com recomendações claras para o governo brasileiro sobre medidas a serem adotadas.
A Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS), ao ser consultada, afirmou que “todas as emissões de usinas a carvão são rigorosamente monitoradas em conformidade com parâmetros seguros estabelecidos cientificamente pelas autoridades”.
Este estudo fundamenta-se na urgência de rever as políticas energéticas e de saúde pública, principalmente no que se refere à mineração e queima de carvão no Brasil, em sintonia com os compromissos do país perante o Acordo de Paris e a busca por soluções energéticas globalmente sustentáveis.
Minas e usinas de carvão podem causar 1,3 mil mortes até 2040
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